Ibovespa inicia semana em alta de 0,53%, aos 182,5 mil pontos, contra Nova York
Após duas sessões no negativo, o Ibovespa iniciou a semana em alta moderada, de 0,53%, aos 182.514,20 pontos, chegando ao fim do mês em registro diferente do que prevaleceu em janeiro e fevereiro, quando a rotação global de ativos, em especial a partir dos Estados Unidos, favorecia emergentes como o Brasil. A guerra de EUA-Israel ao Irã, ainda sem desfecho claro, mudou o jogo. Mas a exposição da B3 ao setor de petróleo e gás, em particular com o carro-chefe Petrobras, amorteceu parte da aversão a risco - no ano, Petrobras ON +67,79% e PN +61,16%.
Ainda assim, o Ibovespa caminha para fechar março com o pior desempenho desde julho de 2025, quando havia cedido 4,17% - por enquanto, recua 3,32% no mês. Por sinal, julho passado foi o mais recente mês de perdas para o Ibovespa: de agosto até aqui, foram sete meses de avanços consecutivos.
O macro externo continuou a dar o tom aos negócios neste fechamento de primeiro trimestre, mas em sinal inverso ao observado nos dois primeiros meses do ano, ainda que o fluxo externo, não interrompido para Brasil, tenha contribuído para suavizar o choque do petróleo sobre o mercado de ações.
Em relatório, o Citi observa que a temporada de resultados corporativos do quarto trimestre de 2025, praticamente encerrada, foi mista: das 75 companhias que integram o Ibovespa, 33 trouxeram resultados acima do esperado, comparadas a 41 no terceiro trimestre, com destaque para os setores financeiro e de Utilities.
"O Ibovespa retém uma alta de cerca de 12% no ano, induzida pelos cerca de R$ 49 bilhões em fluxo externo para as ações brasileiras", acrescenta o banco, destacando que o pano de fundo se deteriorou desde o fechamento de fevereiro, em meio a um grau maior de pessimismo global. "Companhias de diferentes setores ainda esperam que o ano de 2026 seja relativamente positivo, para a receita e expansão de margem. Ainda assim, notam riscos diante do ciclo eleitoral, da volatilidade cambial e da geopolítica, conforme destacaram nas conferências de resultados."
Na sessão desta abertura de semana, o apetite por ações na B3 foi estimulado pela queda dos juros futuros, no exterior e no Brasil, ressalta Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos. "O petróleo, por sua vez, seguiu em alta, com efeito para o setor de energia", acrescenta.
Embora mais fraco do que se observava mais cedo na sessão, o avanço das ações na B3 persistiu apesar da quebra de ritmo nos principais índices de Nova York, que encerraram de forma mista, com variações de +0,11% (Dow Jones), -0,39% (S&P 500) e -0,73% (Nasdaq). Aqui, o Ibovespa, com giro a R$ 25,5 bilhões, oscilou dos 181.559,49 até os 184.414,18 pontos, tendo saído de abertura aos 181.560,58.
A perda de ritmo observada à tarde se concentrou nas ações do setor financeiro, que encerraram o dia sem direção única, entre -1,15% (BB ON) e +0,72% (Santander Unit). Vale (ON +0,63%) e Petrobras (ON +0,64%, PN +0,53%), por sua vez, mostraram ganhos mais fracos no fechamento. Na ponta vencedora do Ibovespa, Yduqs (+3,76%), WEG (+3,46%) e Brava (+2,97%). No lado oposto, Lojas Renner (-4,70%), C&A (-4,33%) e Vamos (-3,71%).
"Embora os desdobramentos da guerra permaneçam fundamentalmente impossíveis de prever, nesta semana teremos dados macroeconômicos importantes que devem esclarecer o impacto da guerra nas maiores economias", diz Matthew Ryan, head de estratégia de mercado global da Ebury. Ele se refere aos dados de emprego de março nos EUA, em especial ao relatório oficial, o payroll, na sexta-feira. Além disso, aponta Ryan, haverá a pesquisa de negócios do ISM Instituto para Gestão da Oferta, dos EUA, na quarta-feira, e o relatório preliminar da inflação em março na zona do euro, na terça.