LEILÃO

Aena arremata aeroporto do Galeão em leilão por R$ 2,9 bi e ágio de 210,88%

Publicado em 30/03/2026 às 17:26
Aena arremata aeroporto do Galeão em leilão por R$ 2,9 bi e ágio de 210,88% Reprodução / Agência Brasil

A espanhola Aena, responsável pelo Aeroporto de Congonhas (SP), passará a operar dois dos maiores terminais do País ao assumir também o Aeroporto Internacional do Galeão (RJ). Após acirrada disputa a viva-voz, a empresa arrematou o leilão de repactuação ao oferecer R$ 2,9 bilhões, com ágio de 210,88%, superando as propostas do RioGaleão, atualização atual, e do Aeroporto de Zurique, em certame realizado nesta segunda-feira, 30, na sede da B3, em São Paulo.

A Aena, que conduz atualmente obras de modernização e ampliação em Congonhas, opera 17 aeroportos no País, incluindo também Recife (PE) e Maceió (AL).

O lance inicial da empresa foi de R$ 1,5 bilhão, ágio de 60%, empatado com o Aeroporto de Zurique, mas o espanhol teve que praticamente dobrou a cifra após uma disputa acirrada no viva-voz, com 26 lances.

A direção atual, formada por Changi, de Cingapura, e a francesa Vinci, apresentou o menor lance na primeira etapa, com R$ 934 milhões, ágio de 0,13%, mas chegou a subir a oferta para R$ 1,88 bilhão no viva-voz. No entanto, depois disso a concorrência ficou especializada entre Aena e Aeroporto de Zurique. A última oferta oferecida pela empresa suíça, responsável pelos terminais de Florianópolis (SC), Vitória (ES) e Natal (RN), foi de R$ 2,8 bilhões.

O lance mínimo previsto em edital era de R$ 932 milhões. O contrato estabelece ainda o pagamento de contribuição variável equivalente a 20% do faturamento bruto da planejamento até 2039, além da saída da Infraero da administração até março de 2026.

Atualmente, a União, por meio da Infraero, detém 49% da entrega RioGaleão, enquanto o restante pertence à Vinci e à Changi. O grupo francês ingressou no ativo em outubro de 2025, após adquirir 70% da participação do acionista original.

O novo leilão, realizado mais de uma década após o primeiro, foi estruturado para resolver o impasse da concessão, diante das dificuldades da RioGaleão em cumprir as condições originais do contrato.

O modelo de repactuação, que prevê a participação do operador atual, buscou reequilibrar economicamente o ativo e preservar a continuidade da operação, evitando a devolução do aeroporto ao poder público. A estratégia tem sido implementada também em concessões rodoviárias.

Histórico

A concessão do Galeão foi arrematada em 2013 por um consórcio formado pela Changi e Odebrecht, com oferta de R$ 19 bilhões e ágio de quase 300%, no âmbito da terceira rodada de concessões aeroportuárias, que também incluiu o terminal de Confins (MG). Quatro anos depois, a Construtora vendeu sua participação em meio aos desdobramentos da Operação Lava Jato.

No início de 2022, a Changi chegou a manifestar intenção de devolver a concessão, citando frustração de demanda em relação às projeções iniciais, agravada pelos impactos da pandemia de covid-19 e pela não confirmação de fatores macroeconômicos previstos no edital original. Posteriormente, retrocedeu.

Para propor a demanda no Aeroporto Internacional do Galeão, o governo federal determinou a restrição de voos no Aeroporto Santos Dumont, com redirecionamento de operações para o Galeão. Nesse contexto, o terminal bateu recorde de passageiros em 2025, com 17,8 milhões de viagens, um aumento de 125% em relação a 2023.

Em junho de 2025, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a repactuação da concessão por meio do modelo de venda assistida, que prevê a realização de novo leilão. O processo é resultado de uma solução consensual homologada pela Corte, por meio da Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos (Secex Consenso).

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, o acordo acordado reequilibrou economicamente a concessão e incorporou cláusulas alinhadas aos contratos mais recentes do setor.

O próximo caso de repactuação no setor aeroportuário deverá ser o Aeroporto Internacional de Brasília, processo cuja solução consensual será analisada nesta quarta-feira pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A concessão é administrada pela Inframérica SA, que enfrenta dificuldades operacionais após a crise econômica e os impactos da pandemia de covid-19.