ECONOMIA E POLÍTICA

Haddad afirma que nem sempre defendeu corte de juros, mas vê espaço para redução

Ex-ministro da Fazenda destaca que apoiou alta da Selic quando necessário e defende equilíbrio entre política monetária e social.

Publicado em 30/03/2026 às 16:48
Haddad afirma que nem sempre defendeu corte de juros, mas vê espaço para redução Diogo Zacarias / Ministério da Fazenda

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, declarou que não é sempre favorável à redução da taxa Selic e que chegou a reforçar o Banco Central em 2024 na elevação dos juros. As afirmações foram feitas durante painel no J. Safra Macro Day , promovido pelo Banco Safra, em São Paulo, nesta segunda-feira, 30.

"Eu apoiei o Banco Central no final de 2024 quando houve necessidade de subir a taxa de juros. Então, não sou sempre a favor de cair a taxa de juros. E outro dia eu disse que um dos problemas que o governo anterior viveu foi justamente colocar a taxa de juros em 2% e perder completamente o controle do câmbio e sobre a inflação", afirmou Haddad.

Na sequência, o ex-ministro ressaltou que, desde o ano passado, vê espaço para cortes na taxa de juros. “Lembrando que é um problema, tem um remédio, e você tem que calibrar a dose. Então, essa coisa de dosar é a arte do banqueiro central”, declarou.

Durante o painel, Haddad também destacou que conseguiu melhorar as contas públicas ao mesmo tempo em que preservava direitos sociais e empregos, “sem deficiência a base da pirâmide”. Ele acrescentou que vê o Brasil próximo do equilíbrio fiscal.

“Acho que temos uma gordura de política monetária, 10% de juro real”, avaliou Haddad. “Mantendo o ritmo de reformas, fazendo os ajustes necessários, e eu sempre defendo que preservem a base da pirâmide, para não comprometer o crescimento, eu acho que a gente consegue avançar mais e, num segundo mandato nessa direção, a gente chegar a estabilizar a relação-PIB, com crescimento robusto e um conjunto de reformas que melhoraram o ambiente de negócios”, concluiu.