MERCADO FINANCEIRO

Ouro fecha em alta com compras oportunistas e suporte geopolítico limitado por juros

Metal avança após liquidação recente, mas ganhos são contidos por temores inflacionários e manutenção dos juros nos EUA.

Publicado em 30/03/2026 às 14:42
Ouro fecha em alta com compras oportunistas e suporte geopolítico limitado por juros Reprodução

O ouro encerrou esta segunda-feira, 30, em alta, ampliando a recuperação iniciada após perdas significativas. O movimento foi impulsionado por compras oportunistas e pela busca de proteção diante de riscos geopolíticos. No entanto, o avanço do metal precioso foi limitado por preocupações com a inflação, especialmente atreladas à alta do petróleo, e pela perspectiva de manutenção das taxas de juros elevadas nos Estados Unidos.

Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril subiu 0,75%, fechando a US$ 4.526,00 por onça-troy. A prata para maio teve alta de 1,11%, encerrando a US$ 70.569 por onça-troy.

Segundo analistas do ANZ, o resultado positivo reflete a volta dos investidores após uma forte liquidação, destacando que o metal reagiu ao ingresso de compradores oportunistas no fim da semana passada, após a maior onda de vendas dos últimos anos. Eles lembram que os preços do ouro chegaram a recuar mais de 10% no mês, pressionados pela saída de recursos de ETFs lastreados no metal.

Apesar da recuperação, o cenário permanece desafiador. O ouro ainda acumula perdas expressivas no mês, impactadas pela valorização do dólar e pela alta do petróleo, fatores que alimentam tempos inflacionários e reforçam a expectativa de uma política monetária mais restritiva.

Para Thadeu Dos Santos, diretor regional da Infinox, os riscos geopolíticos continuam dando suporte ao ouro, mas esse efeito é contrabalançado pelo ambiente de juros elevados. Ele observa que os investidores ainda veem o metal mais como ativo de risco do que como porto seguro, embora esse comportamento comece a mudar diante de sinais de possível distensão no conflito envolvido o Irã. Ao mesmo tempo, o preço elevado do petróleo mantém a pressão sobre a inflação e os rendimentos dos Tesouros, o que tende a limitar ganhos mais consistentes para o metal.

No panorama de fundo, os fluxos dos bancos centrais seguem no radar, segundo Santos. A recente queda nas reservas de ouro da Turquia, em meio aos esforços para sustentar a lira, levanta a possibilidade de novas vendas. "Sinais mais amplos de venda de reservas podem adicionar pressão adicional, enquanto a continuidade da acumulação por outros bancos centrais segue como fator de suporte no prazo médio", avalia.

Com informações da Dow Jones Newswires