Chuva escancara fragilidade do Salgadinho e obra de JHC vira cenário de lama, esgoto e morte
Canal que seria vitrine da gestão não resiste às chuvas, despeja água fétida no mar e expõe corpo arrastado pela correnteza
O que seria entregue como símbolo de modernização urbana virou, antes mesmo da inauguração, um retrato brutal da realidade que a gestão tenta esconder.
As fortes chuvas que atingem Maceió não apenas provocaram alagamentos em diversos bairros, elas também expuseram, de forma crua, a fragilidade da obra de revitalização do Riacho Salgadinho, tratada como um dos principais trunfos da administração do prefeito João Henrique Caldas (JHC).
O cenário é chocante: lama, água escura, odor fétido e, no meio da correnteza, o corpo de um homem sendo arrastado até a foz, em direção à praia da Avenida.
O “cartão-postal” que virou esgoto a céu aberto
A promessa era transformar o Salgadinho em um espaço urbanizado, símbolo de recuperação ambiental e orgulho para a cidade.
Mas bastou uma sequência de chuvas para que a realidade emergisse:
Água turva e contaminada
Forte odor de esgoto
Acúmulo de lama e detritos
Estrutura incapaz de suportar o fluxo das chuvas
O canal, que deveria representar solução, revelou-se mais um problema.
Corpo arrastado pela correnteza
Na manhã desta segunda-feira (30), trabalhadores da própria obra visualizaram o corpo de um homem descendo pelas águas do riacho, na altura do bairro do Poço.
A vítima ficou presa sob uma ponte e ainda não foi identificada.
Há indícios de que o corpo tenha sido arrastado de regiões mais altas, possivelmente do Vale do Reginaldo, impulsionado pela força da água após dias de chuva intensa.
Imagens registradas no local mostram sinais de inchaço, indicando que a morte pode não ter sido recente.
O Corpo de Bombeiros foi acionado e avalia a melhor estratégia para retirada do corpo, diante da força da correnteza.
Quase tragédia entre trabalhadores
Além do choque causado pela presença do corpo, outro episódio agravou a situação.
Quatro trabalhadores que atuavam na limpeza do riacho quase foram arrastados pela correnteza após a elevação repentina do nível da água.
Eles foram socorridos por colegas e encaminhados para atendimento médico. Todos passam bem.
A obra que não resistiu à realidade
O episódio levanta uma questão inevitável: como uma obra que sequer foi inaugurada não suporta uma chuva previsível?
O Salgadinho, vendido como vitrine da gestão, mostrou sinais claros de: Falha estrutural, Falta de planejamento hidrológico, Ausência de solução efetiva para o esgoto, Intervenção mais estética do que funcional.
Na prática, a revitalização não eliminou o problema histórico do riacho, apenas o maquiou.
Do marketing à exposição do fracasso
A gestão de JHC apostou no Salgadinho como símbolo de transformação urbana.
Mas o que as chuvas revelaram foi o oposto: um canal que continua poluído, uma obra incapaz de suportar eventos naturais básicos, e uma intervenção que não resolve o problema estrutural da cidade
O episódio ganha contornos ainda mais graves pelo simbolismo: um corpo sendo arrastado por um canal recém-reformado até o mar.
Quando a chuva revela a verdade
Assim como nas ruas alagadas da cidade, o caso do Salgadinho escancara um padrão:
A gestão investe em imagem, mas falha no essencial
Quando chove, não há filtro, não há edição, não há marketing que sustente.
O que aparece é a realidade — e ela é dura.
Uma pergunta que fica
Diante do cenário, a população se pergunta: quanto custou a obra do Salgadinho, e o que, de fato, foi entregue?
Porque, até agora, o que se viu foi lama, esgoto e uma tragédia exposta a céu aberto.