Powell afirma que dívida dos EUA preocupa pela trajetória, mas nível atual não é insustentável
Presidente do Fed alerta para riscos fiscais no longo prazo e defende reequilíbrio das contas públicas
O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, declarou nesta quinta-feira que, embora o nível atual da dívida pública dos Estados Unidos não seja insustentável, a trajetória do endividamento preocupa. "O nível da dívida não é insustentável. Uma trajetória não é sustentável", afirmou Powell, ressaltando que o endividamento cresce mais rápido que a economia.
Durante a participação em evento na Universidade de Harvard, Powell destacou que não é necessário reduzir o estoque da dívida imediatamente, mas será fundamental reequilibrar as contas públicas ao longo do tempo para garantir que o crescimento econômico supere o avanço do individualismo.
O dirigente alertou ainda que, sem ajustes fiscais, “não vai terminar bem”, embora tenha frisado que essa responsabilidade cabe ao Congresso, e não ao Fed.
No campo da política monetária, Powell reiterou que o Fed continua avaliando os efeitos do novo choque de energia relacionado ao Oriente Médio. “É cedo demais para saber” a magnitude do impacto, disse, lembrando que a autoridade monetária acompanha uma série de choques de oferta recentes, como a pandemia e as tarifas, que vêm tendo impacto mais limitado. Segundo Powell, as tarifas adicionaram entre 0,5 e 0,8 ponto percentual à inflação.
Ele afirmou ainda que, diante desse cenário, a política monetária está “em uma boa posição para esperar e ver” os desdobramentos antes de tomar novas decisões.
Sobre a estabilidade financeira, Powell minimizou riscos imediatos vindos do crédito privado. “Não vemos contágio neste momento” e “não parece ter características de um evento sistêmico mais amplo”, afirmou, embora tenha ressaltado que o Fed segue monitorando o setor de perto.
Questionado sobre possíveis decisões futuras do Fed sob a liderança de Kevin Warsh, Powell preferiu não comentar cenários hipotéticos.