ECONOMIA GLOBAL

FMI alerta para impacto global da guerra no Oriente Médio sobre energia e mercados

Conflito amplia custos, pressiona cadeias produtivas e afeta especialmente países importadores de energia, aponta relatório do Fundo Monetário Internacional.

Publicado em 30/03/2026 às 12:37
FMI alerta para impacto global da guerra no Oriente Médio sobre energia e mercados Reprodução

A intensificação da guerra no Oriente Médio provocou um novo choque na economia global, agravando as perspectivas de recuperação de países que já enfrentaram crises anteriores. A avaliação é do Fundo Monetário Internacional (FMI), em artigo publicado nesta segunda-feira, 30. Segundo a instituição, o impacto do conflito é "global, mas assimétrico", afetando de maneira mais severa os importadores de energia, países mais pobres e aqueles com reservas limitadas.

De acordo com o FMI, o fechamento do Estreito de Ormuz e os danos à infraestrutura regional representam um dos maiores gargalos da história do mercado global de petróleo. Atualmente, cerca de 25% a 30% do petróleo mundial e 20% do gás natural liquefeito (GNL) transitam por Ormuz, o que eleva os custos de combustíveis e insumos, especialmente para grandes importadores na Ásia e Europa.

A interrupção no envio de fertilizantes — cerca de um terço também passa por Ormuz — aumenta as preocupações com a alta nos preços dos alimentos, sobretudo por coincidir com o início da temporada de plantio no Hemisfério Norte. "O conflito está remodelando rotas de transporte. O redirecionamento de petroleiros e navios de contêineres eleva os custos de frete e seguros, além de prolongar prazos de entrega. Os intermediários no tráfego aéreo em hubs do Golfo também afetam o turismo e tornam o comércio internacional mais complexo", acrescenta o FMI.

No mercado financeiro, uma guerra desestabilizou ativos, resultando na queda nas bolsas globais, alta nos juros de títulos em economias avançadas e aumento da volatilidade, o que abriu as condições financeiras em todo o mundo.

Para as economias de baixa renda, o cenário ainda é mais preocupante. Reservas menores e acesso restrito ao mercado internacional tornam o choque mais perigoso, especialmente diante do aumento das contas de importação de combustíveis, fertilizantes e alimentos, alerta o Fundo.