Esposa de empresário contesta versão da PM e afirma que marido foi morto por engano
Mulher de Celso Bortolato de Castro relata que policial de folga atirou no marido ao confundi-lo com assaltante durante tentativa de roubo na zona oeste de São Paulo. Caso é investigado pela Corregedoria da PM e pelo DHPP.
Esposa de empresário contesta versão da PM e diz que marido foi morto por ser confundido com ladrão
Celso Bortolato de Castro foi atingido nas costas por um policial militar que estava de folga e tentou intervir ao presenciar um assalto. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o caso está sendo investigado por meio de um Inquérito Policial Militar instaurado pela Corregedoria da instituição, que prometeu adotar todas as medidas cabíveis.
A viúva de Celso Bortolato de Castro, morto no sábado (28), após a intervenção de um policial militar durante uma tentativa de assalto no Butantã, zona oeste de São Paulo, contestou a versão pela polícia sobre o tiroteio. Ela afirma que o PM, que estava de folga, atirou diretamente em seu marido e em um dos suspeitos.
"Não houve confronto de tiro. Os dois assaltantes vieram, mostraram a arma e eu saí correndo. Nesse momento, ouvi uma pessoa vinda de trás atirando. Olhei para ele e falei: 'O que você fez? É o meu marido. Ele não é o assaltante!' Mas ele já tinha dado dois tiros no meu marido, que estava de costas", relatou a mulher, que preferiu não se identificar por motivos de segurança.
De acordo com a SSP, todas as ocorrências de mortes decorrentes de intervenção policial são rigorosamente investigadas pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento das corregedorias, Ministério Público e Poder Judiciário.
A secretaria também informou que todo o material apurado nas investigações, inclusive imagens de câmeras corporais, é compartilhado com os órgãos de controle. “A Polícia Militar é uma instituição legalista e atua com absoluto rigor e celeridade sempre que há acusações de ilegalidade por parte de seus integrantes”, afirmou a SSP em nota.
O empresário Celso Bortolato de Castro será sepultado nesta segunda-feira (30), no Cemitério Jardim Horto Florestal, no Parque Ramos Freitas, zona norte da capital paulista.
O que acontece
Segundo a Polícia Militar, um agente de folga passava de carro pela Rua Sapetuba, por volta das 15h, quando presenciava dois homens em uma moto anunciando um assalto a um casal em outra motocicleta.
A vítima e um dos suspeitos foram baleados pela polícia. Conforme relato do agente, houve troca de tiros entre ele e os suspeitos. Tanto a vítima quanto o suspeito foram socorridos em estado grave, mas não resistiram. Eles tinham 58 e 38 anos, respectivamente.
"Um policial militar de folga, de 27 anos, viu o crime e interveio. Um dos assaltantes conseguiu fugir. O segundo suspeito, que estava armado, e uma das vítimas foram atingidas e não resistiram", acrescentou a SSP em nota.
As armas do policial e do suspeito foram apreendidas. O policial foi liberado mediante pagamento de noiva. A autoridade policial solicita perícia ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico Legal (IML).
O caso foi registrado como resistência, morte decorrente de intervenção policial, homicídio culposo e tentativa de roubo, e também é apurado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).