INDICADORES ECONÔMICOS

Confiança do Comércio recua 2,7 pontos em março e atinge 84,6, aponta FGV

Queda do índice reflete pessimismo nas expectativas e enfraquecimento da demanda, segundo análise da Fundação Getulio Vargas.

Publicado em 30/03/2026 às 08:43
Confiança do Comércio recua 2,7 pontos em março e atinge 84,6, aponta FGV Reprodução

O Índice de Confiança do Comércio (Icom) caiu 2,7 pontos entre fevereiro e março, atingindo 84,6 pontos, segundos dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Na mídia móvel trimestral, o Icom registrou queda de 1,3 ponto em março.

"A confiança do comércio retrocedeu pelo segundo mês consecutivo, tendo novamente como principal fator a restrição das expectativas. A queda foi influenciada, sobretudo, pela piora nas perspectivas sobre a tendência dos negócios, que passou a indicar pessimismo para os próximos meses. Ao mesmo tempo, as avaliações sobre a demanda atual também se enfraqueceram, atingindo patamar próximo à observação em 2020, reforçando o quadro de pressão sobre a confiança" , avaliou Geórgia Veloso, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.

Em março, cinco dos seis principais segmentos do setor apresentaram piora na confiança.

"O varejo encerra o primeiro trimestre de 2026 em um ambiente ainda desafiador, com a política monetária ainda restritiva no curto prazo e elevado endividamento das famílias. Apesar da resiliência do mercado de trabalho, a renda não tem sido suficiente para aquecer a demanda no setor" , completou Veloso.

O Índice de Situação Atual (ISA-COM) caiu 0,8 ponto, chegando a 84,8 pontos. Já o Índice de Expectativas (IE-COM) descobriu 4,4 pontos, para 85,1 pontos.

Entre os componentes do IE-COM, o item que mede as perspectivas de vendas para os próximos três meses caiu 2,9 pontos, alcançando 89,2 pontos. A expectativa sobre a tendência dos negócios nos próximos seis meses teve queda de 5,7 pontos, chegando a 81,6 pontos.

No ISA-COM, o item que avalia a situação atual dos negócios subiu levemente, 0,1 ponto, para 86,3 pontos. Por outro lado, o indicador de volume de demanda atual recuou 1,8 ponto, atingindo 83,6 pontos, o menor patamar desde junho de 2020.

“A queda das expectativas após o pico em janeiro, aliada à piora das avaliações sobre o momento atual, com a percepção da demanda no menor patamar desde 2020, reforçam o cenário de perda de confiança” , justificou Veloso.

A Sondagem do Comércio de março coletou informações entre os dias 2 e 25 do mês.