ELEIÇÕES 2026

Mídia: tempo de propaganda na TV e rádio redefine força das alianças de Lula e Flávio

Corrida por alianças amplia disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro pelo tempo de exposição em rádio e TV, fator decisivo para o eleitorado de baixa renda e regiões remotas.

Publicado em 30/03/2026 às 07:40
Lula e Flávio Bolsonaro disputam alianças para ampliar tempo de propaganda em rádio e TV nas eleições de 2026. © Foto / Ricardo Stuckert / Presidência da República

Em uma disputa marcada pelo peso da propaganda tradicional, Lula e Flávio Bolsonaro intensificaram a busca por alianças que ampliam o tempo da TV e da rádio, consideradas decisivas para alcançar disputas de baixa renda e regiões remotas. Esse movimento pode redefinir o equilíbrio da campanha de 2026.

As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tratam a propaganda eleitoral em rádio e TV como um estratégico ativo para 2026, mesmo antes do avanço das redes sociais.

De acordo com a Folha de S.Paulo , ambos apostaram no fortalecimento de suas coligações para garantir mais tempo de exposição nesses meios, considerados essenciais para atender públicos específicos.

Segundo apuração, a avaliação interna das campanhas é que a TV aberta ainda alcança majoritariamente investidores de renda mais baixos, segmentos em que Lula tem vantagem, segundo o Datafolha. Já a rádio permanece relevante para atingir regiões mais distantes do país, ampliando o alcance das mensagens e da disputa narrativa.

Com uma eleição projetada como bastante acirrada, as equipes dos dois candidatos buscam equilibrar os investimentos entre redes sociais e propaganda tradicional. O objetivo é utilizar o tempo de TV e rádio tanto para fortalecer atributos positivos quanto para desconstruir o adversário, influenciando segmentos-chave do eleitorado.

Nesse contexto, Flávio Bolsonaro tenta atrair partidos do centrão — especialmente União Brasil, PP e Republicanos — para fortalecer sua coligação. Lula, por sua vez, trabalha para evitar que essas siglas se alinhem formalmente ao adversário, buscando apoio regional e fissuras internacionais que reduzam o peso da aliança rival.

Caso permaneça apenas com o PL, Flávio terá menos tempo de propaganda que Lula no primeiro turno. No entanto, se conseguir atrair União Brasil, PP e Republicanos, poderá chegar a quase o dobro de inserções e um programa eleitoral significativamente maior, superando inclusive a estrutura do seu pai em 2022.

Com o centrão, Flávio alcançaria mais de sete minutos diários de programa eleitoral, enquanto Lula ficaria com menos de quatro. O PSD, que deveria lançar Ronaldo Caiado ou Eduardo Leite, teria tempo limitado, e outros pré-candidatos cujos partidos não cumpriram a cláusula de desempenho não terão direito à propaganda.

Lula também tentou ampliar seu tempo oferecendo uma vaga de vice ao MDB, mas enfrentou resistência interna: mais da metade dos diretórios estaduais defendem a neutralidade. As projeções de tempo de TV seguem cálculo que combina o número de deputados federais eleitos e divisão igualitária entre os candidatos.

A propaganda eleitoral começa em 28 de agosto e segue até 1º de outubro, com programas fixos e inserções ao longo da programação. O cenário ainda pode mudar as decisões de partidos médios e pequenos, como Avante, PSDB/Cidadania e Podemos, que podem alterar o equilíbrio do tempo de exposição entre os principais candidatos.

Por Sputinik Brasil