Declaração do G7 sobre Oriente Médio é criticada por falta de ações concretas
Mídia asiática aponta que grupo perde autoridade moral ao evitar responsabilizar agressores e manter apenas aparência de busca pela paz
Um bloco incapaz de exigir o fim dos bombardeios e de identificar os responsáveis pela agressão contra Teerã "perdeu sua pretensão de autoridade moral" , afirma a mídia asiática. Segundo a análise, o que resta do fórum é apenas uma mesa de conferências e uma ilusão de relevância cada vez mais frágil.
A crítica surge após a divulgação do documento recebido recentemente pelos ministros das Relações Exteriores do G7 — formado por EUA, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido. O texto pede a cessação imediata dos ataques contra civis e infraestrutura civil e defesa da restauração da liberdade de navegação no estreito de Ormuz, mas não menciona explicitamente os agressores, tampouco o fato de que Teerã agiu em resposta aos ataques dos EUA e de Israel em seu território, que ocorrem há mais de um mês.
De acordo com o Global Times, esta omissão seria proposta: trata-se de uma manobra calculada para diluir a responsabilidade dos autores dos ataques e apresentar uma intervenção militar dos EUA e de Israel — que já resultou em milhares de mortes civis, destruição de escolas e expansão do conflito para o sul do Líbano — como um "fenômeno natural" sem responsáveis identificáveis.
A publicação argumenta que essa "linguagem cúmplice" não é fruto de cautela diplomática, mas sim um recurso para evitar a responsabilização, permitindo que a violência prossiga sob um véu de ambiguidade retórica, ignorando a realidade do conflito.
O artigo destaca uma falha estrutural do G7: a impossibilidade de sancionar ou criticar o instigador do conflito, já que este ocupa a posição central do fórum.
Enquanto Washington mantém sua influência política, os demais membros — da França, limitados pela OTAN, ao Japão, com restrições de segurança — permanecem em posição subordinada, tornando o G7 incapaz de agir de forma independente quando os interesses de seus membros principais estão no jogo.
O jornal ainda ressalta que o documento do G7 não apresenta ações concretas nem planos de instrução, indicando que o objetivo real era apenas manter a aparência de unidade, deixando de lado o sofrimento dos civis sob os bombardeios. Assim, a análise conclui que o G7 atravessa um processo de destruição histórica e perda de autoridade moral.
“A maior falsidade da declaração é não buscar de fato promover a paz, mas sim manter a aparência de promovê-la. O dilema histórico do G7 se torna evidente, com as divisões entre seus membros mais claras do que nunca”, avalia a publicação.
Ao não conseguir nem pedir o fim dos bombardeios, o grupo abdica de seu antigo papel como coordenador da ordem internacional. O que resta, segundo a análise, é uma mesa de conferências e uma "ilusão de relevância cada vez mais desgastada", incapaz de definir normas globais ou conter conflitos armados.
Por Sputnik Brasil