126.608 pessoas deixaram o trabalho por conta da depressão, diz INSS
Volume de benefícios concedidos em 2025 está entre os maiores registrados nos últimos anos; empresas buscam prevenção para conter custos e passivos
O Brasil registrou um patamar inédito de afastamentos do mercado de trabalho por esgotamento emocional no último ano. Segundo dados da Previdência Social, o país atingiu a marca de 546 mil benefícios concedidos por incapacidade temporária devido a questões psicológicas e comportamentais em 2025. Desse total, a depressão foi o diagnóstico central para 126.608 trabalhadores, consolidando-se como uma das principais causas de interrupção da atividade profissional no setor privado.
O avanço no número de licenças acende o alerta para a sustentabilidade do sistema previdenciário e para o financeiro das organizações. O cenário reflete não apenas o agravamento da saúde mental dos trabalhadores, mas também uma gestão de riscos ainda reativa dentro das companhias, que enfrentam agora custos elevados de produtividade e um aumento nos passivos trabalhistas.
Impacto financeiro e normativo
O crescimento dos afastamentos impõe uma pressão direta sobre as empresas, que precisam lidar com a substituição de mão de obra e a sobrecarga das equipes remanescentes. Além do impacto operacional, há uma exigência legal crescente: a Norma Regulamentadora 1 (NR-1) estabelece a obrigatoriedade do gerenciamento de riscos ocupacionais, o que inclui, cada vez mais, a atenção aos fatores psicossociais.
A evolução do quadro clínico para um afastamento formal muitas vezes é o desfecho de conflitos internos, importunação no ambiente de trabalho ou sobrecarga que não foram detectados precocemente. Quando o problema chega ao INSS, o custo para o empregador já é significativo, envolvendo desde o pagamento dos primeiros dias de licença até possíveis multas e ações judiciais por negligência na manutenção de um ambiente saudável.
Nesse contexto, a ausência de dados concretos sobre o clima interno coloca a gestão em um "voo no escuro", onde o primeiro sinal de crise já resulta em afastamento médico ou ação judicial.
Estratégias de mitigação e acolhimento
Para minimizar a escalada de licenças, o mercado corporativo tem investido em ferramentas de escuta ativa. A implementação de um Canal de Acolhimento, como o da Contato Seguro, tem se mostrado uma solução eficaz para identificar sinais de sofrimento emocional antes que eles se transformem em incapacidade laboral. Diferente de um Canal de Denúncias, que é focado em irregularidades e infrações ao Código de Conduta, o Canal de Acolhimento é desenhado especificamente para o suporte emocional, oferecendo um espaço seguro para que o colaborador reporte sinais de esgotamento e sofrimento psíquico sob total sigilo.
Ao oferecer um espaço seguro e sigiloso, as instituições conseguem mapear gargalos na gestão e atritos interpessoais a tempo de serem resolvidos. Dados do Anuário 2025 da Contato Seguro, afirma que 77,7% das pessoas preferem o anonimato das conversas para se sentirem seguras ao falar sobre questões emocionais ligadas ao trabalho.
O atendimento é conduzido por psicólogos-ouvidores especializados, que transformam o desabafo individual em inteligência estratégica. Isso permite que a empresa identifique padrões de adoecimento e atue diretamente no cuidado com o colaborador, reduzindo drasticamente os casos de depressão e ansiedade antes que eles se transformem em incapacidade laboral.
Especialistas defendem que a governança em saúde mental deve ser tratada como prioridade estratégica e também para humanizar o ambiente de trabalho. Heloísa Moraes, Head de Gente e Gestão da Contato Seguro, destaca a importância de “estruturar essa recepção de demandas de forma capacitada para evitar que o colaborador se sinta vulnerável ao relatar os problemas que vive”.
Prevenção contra passivos
A tendência indicada pelo levantamento do INSS chama a atenção para a gestão da saúde mental, que deixou de ser uma pauta de bem-estar para se tornar uma métrica de eficiência financeira e sustentável nas organizações. É nesse ponto que o monitoramento 24 horas por dia é vital, considerando que mais de 34% dos relatos ocorrem fora do horário comercial, momentos de maior vulnerabilidade emocional.
Empresas que adotam sistemas estruturados de denúncia e acolhimento conseguem antecipar crises e reduzir a incidência de doenças ocupacionais.
A abordagem preventiva, além de cumprir o rigor das normas de segurança do trabalho, com prazo final para maio de 2026, minimiza as consequências financeiras de uma gestão reativa. Ao tratar o problema na origem, as organizações protegem não apenas o capital humano, mas também a viabilidade econômica do negócio diante de um cenário de recordes sucessivos de afastamentos médicos no país.