Evidências genômicas mostram que cães vivem com humanos há pelo menos 14.200 anos
Estudo revela que a domesticação dos cães antecede a agricultura e reforça laços antigos entre humanos e animais.
Pesquisadores analisaram o DNA de 216 restos de cães antigos, incluindo 181 provenientes da Europa paleolítica e mesolítica. Uma amostra mais antiga, datada de 14.200 anos, foi encontrada no sítio arqueológico de Kesslerloch, na Suíça.
Os resultados, publicados na revista Nature, indicam que os cães domesticados (Canis lupus familiaris) surgiram antes mesmo da agricultura e associação com ascendência profunda com lobos (Canis lupus) da Eurásia, questionando hipóteses anteriores sobre a origem da domesticação.
A domesticação dos cães ocorreu a partir de lobos cinzentos no final da última era glacial, fazendo com que os primeiros animais estabelecessem uma relação doméstica com humanos, segundo o portal Sci.News.
Os vestígios mais antigos de canídeos com características morfológicas semelhantes aos cães atuais foram encontrados na Europa, datando de aproximadamente 14.000 a 17.000 anos atrás.
“Os cães foram o único animal domesticado antes da agricultura, então a sua evolução pode ajudar-nos a entender como uma grande mudança no estilo de vida moldou a nossa própria história”, afirmou o dr. Pontus Skoglund, do Instituto Francis Crick, principal autor do estudo.
No estudo, os cientistas examinaram o DNA de 216 restos canídeos, incluindo 181 amostras anteriores ao período neolítico, ou seja, com mais de 10.000 anos, anteriores ao surgimento da agricultura.
Para aumentar a quantidade de DNA aproveitável, os pesquisadores utilizaram uma técnica de "captura por hibridização", que permite isolar o material genético de cães, mesmo em meio à grande quantidade de DNA de microrganismos presentes em restos muito antigos.
Os autores confirmaram que o cão da caverna de Kesslerloch, na Suíça, era geneticamente um cão. Com 14.200 anos, trata-se do exemplar mais antigo deste estudo e um dos mais antigos já registrados.
Pesquisas anteriores sugeriram que os cães derivavam de duas linhagens distintas de lobos, uma da Eurásia oriental e outra da ocidental. Utilizando modelos estatísticos, os autores descobriram que todos os primeiros cães europeus estudados podem traçar sua origem à linhagem oriental, com algumas apresentando pequenas contribuições da linhagem ocidental.
Essas novas evidências indicam que os lobos europeus não desenvolveram de forma significativa para a evolução dos cães. Além disso, os primeiros cães europeus não foram domesticados de forma independente dos cães asiáticos, já que ambos se unem ao mesmo perfil de ascendência.
Por Sputinik Brasil