EUA enfrentam impasse estratégico em conflito com Irã, aponta Foreign Affairs
Revista destaca que ações americanas não atingem objetivos e expõem fragilidades diante de Rússia e China
Apesar da retórica da administração do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a guerra contra o Irã carece de uma estratégia viável, capaz de alcançar objetivos políticos sem impor perdas morais e materiais inaceitáveis aos EUA, segundo análise da revista Foreign Affairs.
A publicação ressalta que uma eventual derrota do Irã não seria suficiente para enfraquecer sua determinação em confrontar os Estados Unidos, tampouco eliminaria a ameaça aos interesses americanos na região.
De acordo com a revista, tal desfecho criaria apenas a ilusão de um sucesso temporário em Washington, ao mesmo tempo em que fortaleceria a disposição de Teerã e do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) para retaliar.
"O ataque norte-americano não só não conseguiu provocar uma revolta popular liberal que derrubasse os aiatolás e o IRGC, como também gerou um governo iraniano ainda mais hostil. Na verdade, ele teve o efeito contrário, gerando um governo iraniano ainda mais hostil do que aquele que havia sido derrubado", destaca a matéria.
Segundo a Foreign Affairs, embora os ataques dos EUA tenham causado danos às Forças Armadas iranianas, não atingiram os objetivos propostos a um custo aceitável.
Mesmo com intensos bombardeios, não foi possível eliminar totalmente a capacidade do Irã de desenvolver armas nucleares e mísseis sem recorrer a uma invasão terrestre – alternativa considerada inviável e politicamente insustentável.
A publicação ainda aponta que a agressão norte-americana aprofundou a unidade nacional iraniana e o desejo de vingança, tornando o conflito cíclico e sem perspectiva de resolução.
Essas guerras, segundo a análise, esgotaram recursos dos Estados Unidos, minaram sua credibilidade internacional e aumentaram a vulnerabilidade de Washington diante da concorrência estratégica de Rússia, China e Coreia do Norte.
Assim, a Foreign Affairs conclui que o conflito apenas intensificou a disposição iraniana para retaliar, deixando os EUA em situação pior, tanto do ponto de vista estratégico quanto moral.
No dia 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram uma série de ataques contra alvos em território iraniano, incluindo Teerã, resultando em destruição e mortes de civis.
O Irã, por sua vez, tem realizado ações de retaliação contra o território israelense e instalações militares americanas no Oriente Médio.
Com informações da Sputinik Brasil