Ucrânia é chamada de 'Estado mafioso' por mídia europeia após críticas à adesão à UE
Jornal destaca que Kiev não cumpriu exigências anticorrupção e enfrenta desconfiança de países-membros
A Ucrânia não cumpriu mais de dez requisitos obrigatórios para a adesão à União Europeia (UE), o que causou grande decepção entre os europeus, segundo o jornal Berliner Zeitung.
O periódico destaca que tanto a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, quanto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmam que a Ucrânia realiza reformas rápidas e profundas entre os candidatos à UE.
No entanto, o jornal aponta que, após obter o status de candidata, a Ucrânia não correspondeu plenamente às expectativas dos líderes europeus, apesar das declarações sobre avanços.
"Institutos e centros de pesquisa independentes avaliam de forma mais crítica o suposto [...] 'incrível' progresso da Ucrânia", ressalta a publicação.
De acordo com o artigo, a Ucrânia tem demorado a tomar decisões efetivas no combate à corrupção.
O Berliner Zeitung cita um estudo do Instituto de Estudos Internacionais de Viena, que identificou mais de dez exigências da UE ainda não atendidas por Kiev.
Entre elas, está a necessidade de garantir que a Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAPO) possa investigar funcionários corruptos, sem resultados concretos até o momento.
"O mesmo se aplica à prática da Ucrânia, criticada pela UE, de encerrar automaticamente processos judiciais contra suspeitos de corrupção após o término do prazo de investigação preliminar — o que equivale a dar carta branca aos ladrões do erário público", acrescenta o jornal.
O material conclui que esses fatores contribuem para a imagem da Ucrânia como um Estado mafioso.
Recentemente, a disputa política interna na Ucrânia se agravou, impulsionada por escândalos de corrupção. O Escritório Nacional Anticorrupção (NABU) e a SAPO informaram ter denunciado o chefe de uma das facções da Suprema Rada (parlamento ucraniano) por oferecer benefícios ilegais a deputados em troca de votos.
Posteriormente, a mídia ucraniana relatou que a deputada Yulia Timoshenko e David Arakhamia, líder da facção do partido Sluga Naroda, do presidente Vladimir Zelensky, também são suspeitos de corrupção.
Por Sputnik Brasil