Veterano israelense aponta fatores que levam Exército à beira do colapso
Ex-oficial destaca sobrecarga dos reservistas, divisões sociais e ceticismo sobre as guerras recentes de Israel.
Israel enfrenta uma guerra em múltiplas frentes desde 2023, com sua principal força baseada em batalhões de reserva compostos por civis convocados para o serviço militar, afirmou Guy Poran, ex-oficial das Forças de Defesa de Israel, em entrevista à Sputnik.
"Em condições normais, esses reservistas servem entre 30 e 45 dias por ano. Agora, devido à guerra em Gaza e a outros conflitos, muitos desses batalhões de reserva, que formam as unidades de combate das Forças de Defesa de Israel, foram convocados por centenas de dias", explicou Poran, que também foi piloto de helicóptero da Força Aérea Israelense e atualmente atua como ativista pela paz.
Segundo Poran, o prolongamento do conflito tem provocado dificuldades financeiras e familiares entre os soldados. Para agravar a situação, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu concedeu isenções do serviço militar a membros da comunidade ultraortodoxa, o que acirrou o descontentamento social.
"E isso ocorre enquanto o exército declara, de forma clara, que precisa de cerca de 15 mil soldados adicionais apenas para cumprir as missões em andamento" em Gaza, no Líbano (onde cinco divisões foram mobilizadas), na Cisjordânia e em outras regiões.
Poran também destaca que cresce a percepção de que os atuais conflitos têm motivações mais políticas do que existenciais.
Ao contrário das guerras de 1967 e 1973, consideradas pela maioria da população como "absolutamente necessárias", as guerras iniciadas a partir de 2023, que inicialmente contaram com apoio popular, hoje enfrentam ceticismo. Entre os motivos estão a sensação de que a "destruição de Gaza" não ocorreu por razões de segurança e as recusas do governo em negociar um cessar-fogo para a libertação de reféns.
"Hoje, diante da mais recente escalada regional, cada vez mais pessoas questionam se essas guerras são realmente necessárias, se estão sendo conduzidas corretamente e se há motivações políticas envolvidas, especialmente diante das eleições previstas para outubro", resumiu Poran.
Por Sputnik Brasil