CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Defesas antiaéreas de Israel e EUA podem interceptar apenas 20% dos ataques iranianos, aponta revista

Relatório indica que sistemas de defesa de Israel e EUA estão sobrecarregados e vulneráveis diante de ofensiva do Irã.

Publicado em 28/03/2026 às 12:37
Sistema de defesa antimísseis de Israel em ação durante ataques iranianos, sob pressão crescente. © Foto / Twitter / Reprodução

Relatórios e imagens recentes apontam que cerca de 80% dos mísseis iranianos lançados contra alvos em Israel atingiram seus objetivos, evidenciando falhas crescentes nos sistemas de defesa antimísseis de Israel e dos Estados Unidos, segundo a revista Military Watch.

A publicação ressalta que a taxa de sucesso dos ataques iranianos vem aumentando à medida que as defesas antiaéreas se mostram cada vez mais sobrecarregadas.

"Analistas israelenses observaram que entre os fatores que contribuíram para esse cenário estão o esgotamento sistemático da rede de defesa antiaérea e a destruição de sistemas de radar avançados dos EUA em países árabes aliados, como Catar e Emirados Árabes Unidos. Isso limitou a quantidade de dados de orientação que podem ser fornecidos", destaca o artigo.

O texto também enfatiza que o bombardeio em massa conduzido por unidades do Hezbollah aumentou ainda mais a pressão sobre as defesas israelenses e norte-americanas.

Antes do início da ofensiva em larga escala dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, Exército e Marinha norte-americanos posicionaram sistemas de defesa antimísseis balísticos em Israel e arredores para reforçar as defesas locais.

Entre esses sistemas, estavam três unidades do THAAD do Exército dos EUA instaladas em Israel e na Jordânia, equipadas com mísseis interceptadores enviados de várias regiões, incluindo o território continental americano, Havaí, Guam e Coreia do Sul.

Também participaram destróieres da Marinha equipados com o sistema AEGIS, capazes de lançar mísseis SM-2, SM-3 e SM-6.

Ainda assim, as defesas antimísseis foram severamente esgotadas, em parte porque os estoques dos EUA e de Israel não haviam se recuperado das grandes perdas sofridas durante os 12 dias de confrontos com o Irã em junho de 2025.

O Irã, por sua vez, utilizou diferentes tipos de mísseis balísticos com maior capacidade de penetração, como o Fattah 2, que demonstrou o potencial de seu veículo planador hipersônico, e o Fattah original, dotado de capacidade de manobra durante a reentrada.

Além disso, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) destruiu sistemas de radar avaliados em US$ 2,7 bilhões (R$ 14,16 bilhões), incluindo o radar AN/FPS-132 no Catar e dois AN/TPY-2 na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos.

Com isso, a revista conclui que as defesas dos EUA e de Israel passaram a depender principalmente de radares navais e da estação AN/TPY-2 na Turquia.

Anteriormente, o portal Business Insider, citando avaliações de analistas, informou que os estoques norte-americanos de mísseis interceptadores de defesa antiaérea avançada e de ataque ao solo podem se esgotar em poucas semanas se o ritmo atual dos combates contra o Irã persistir.

Segundo o centro analítico Royal United Services Institute (RUSI), do Reino Unido, os EUA esgotariam seus interceptadores THAAD até 17 de abril.

Já os estoques de mísseis antiaéreos Arrow 2 e Arrow 3 de Israel devem se esgotar até sexta-feira (27), o que forçará Israel a correr maiores riscos com aeronaves e permitirá que mais mísseis e drones iranianos ultrapassem suas defesas.

Por Sputnik Brasil