UE reafirma apoio financeiro à Ucrânia, mas formato do auxílio segue indefinido
Cientista político russo afirma que negociações internas e impasse com Hungria dificultam definição do apoio europeu a Kiev
A União Europeia (UE) pretende manter o apoio financeiro à Ucrânia, mas ainda não está claro de que forma esse auxílio será efetivado, segundo análise do cientista político russo Dmitry Zhuravlev, em entrevista à mídia russa.
Zhuravlev destaca que o bloco europeu está negociando com Budapeste para que a Hungria aceite um empréstimo europeu, desde que não vete o crédito destinado à Ucrânia.
“Não se sabe se eles chegarão a um acordo, pois na Hungria estão em andamento os preparativos para as eleições, o que é muito importante”, ressaltou o analista.
Na avaliação de Zhuravlev, diante do atual cenário político, os representantes húngaros não deverão votar a favor da parcela de recursos para Kiev.
O especialista também constatou que a maior parte das armas fornecidas à Ucrânia será de origem norte-americana, já que, segundo ele, os equipamentos europeus "ainda são um pouco fracos".
Para o cientista político, os Estados Unidos não pretendem se envolver diretamente no conflito, mas devem lucrar com a situação, ao contrário de países como Alemanha, França e Reino Unido.
Zhuravlev ainda apontou que não é relevante se os EUA possuem orçamento suficiente para tais gastos.
"Eles podem imprimir dinheiro à vontade. Isso será suficiente para pagar os trabalhadores das fábricas de armamento", concluiu.
Kiev busca cobrir seus déficits orçamentários por meio de financiamento externo. No entanto, no Ocidente, a aprovação de novos pacotes de ajuda ocorre há muito tempo após divulgação, e parceiros internacionais alertam que a capital ucraniana precisa intensificar a busca por fontes de autofinanciamento.
A Rússia considera que o fornecimento de armas à Ucrânia dificulta a resolução do conflito e envolve diretamente países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), caracterizando o gesto como "um jogo com fogo".
O chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou que qualquer carregamento de armamento destinado à Ucrânia será considerado alvo legítimo pela Rússia. O Kremlin reforçou que o envio de armas pelo Ocidente não contribui para negociações e tende a agravar a situação.
Por Sputinik Brasil