Bolsas de Nova York fecham em queda e acumulam perdas na semana
Conflito no Oriente Médio eleva preços do petróleo e reforça temores inflacionários nos mercados globais
As bolsas de Nova York encerraram esta sexta-feira, 27, em queda, ampliando as perdas acumuladas na semana. O índice Dow Jones entrou em território de correção, refletindo o aumento da aversão ao risco após novos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que impulsionaram os preços do petróleo e intensificaram as preocupações com a inflação.
O Dow Jones recuou 1,73%, fechando aos 45.166,64 pontos. O S&P 500 caiu 1,67%, para 6.368,85 pontos, enquanto o Nasdaq teve baixa de 2,15%, encerrando em 20.948,36 pontos.
Na semana, o Dow acumulou queda de 0,9%, o S&P 500 perdeu 2,2% e o Nasdaq cedeu 3,3%. Segundo a CNBC, este foi o sexto recuo semanal consecutivo.
As ações de tecnologia estiveram entre os principais destaques negativos do pregão, pressionadas pelo temor de elevação dos juros e pelo avanço da inflação, em meio à continuidade das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã. O Nasdaq já havia entrado em território de correção na sessão anterior.
Entre as quedas mais expressivas, destacaram-se Nvidia (-2,2%), Amazon (-3,95%) e Tesla (-2,8%). A Meta (-4%) também ampliou as perdas da véspera, após sofrer um revés judicial relacionado ao vício em redes sociais.
De acordo com o analista Elior Manier, da Oanda, a queda generalizada dos ativos foi motivada principalmente pela disparada dos preços do petróleo, com o Brent se aproximando novamente do patamar de US$ 110 por barril.
Na sexta-feira, ataques israelenses atingiram um complexo nuclear de água pesada no Irã, além de bombardeios em usinas de aço. Em resposta, o Irã prometeu retaliação e ameaçou atacar siderúrgicas em Israel e outros países da região.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, criticou as ações dos EUA e de Israel, argumentando que elas contradizem as declarações de negociação anunciadas pelo presidente americano Donald Trump.
No cenário doméstico, dirigentes do Federal Reserve (Fed) voltaram a manifestar preocupação com o aumento da inflação e seus impactos na política monetária. Anna Paulson, do Fed da Filadélfia, afirmou estar "apreensiva" com a alta dos preços, enquanto Thomas Barkin, de Richmond, destacou que a "neblina" econômica se intensificou.
Em relação a indicadores, o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan ficou abaixo do esperado em março, enquanto as expectativas de inflação aumentaram gradualmente, refletindo as preocupações com o impacto da guerra envolvendo o Irã.