Taxa de informalidade segue em patamares historicamente baixos, aponta IBGE
Redução da informalidade reflete melhora na qualidade dos empregos e não expulsão de trabalhadores, segundo pesquisa do IBGE.
A taxa de informalidade no mercado de trabalho brasileiro ficou em 37,5% no trimestre encerrado em fevereiro, mantendo-se entre os menores níveis desde o início da pandemia de covid-19. O índice permanece próximo aos pisos históricos registrados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), a menor taxa já registrada foi de 36,6% no trimestre até junho de 2020. O resultado atual, no entanto, não está relacionado à saída de trabalhadores informais do mercado, mas sim à melhora na qualidade dos empregos ofertados, que atingem níveis recordes desde o início da série histórica, em 2012.
No período analisado, cerca de 550 mil pessoas deixaram de atuar como trabalhadores informais, enquanto o total de vagas no mercado de trabalho caiu em 874 mil postos. Isso indica que o recuo do emprego ocorreu, em maior parte, entre os informais.
Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, a retração da informalidade foi impulsionada principalmente pela redução de empregos na construção civil — setor que tradicionalmente concentra grande número de trabalhadores por conta própria sem CNPJ —, além de dispensas em segmentos menos formalizados da indústria e da agricultura.
No trimestre, o número de empregos sem carteira assinada no setor privado caiu em 342 mil. Houve ainda redução de 48 mil empregadores sem CNPJ e de 226 mil trabalhadores por conta própria sem CNPJ. Em contrapartida, aumentou em 38 mil o número de pessoas atuando como trabalhadores familiares auxiliares e em 27 mil o de trabalhadores domésticos sem carteira assinada.
No total, a população ocupada na informalidade recuou 1,4% em relação ao trimestre anterior. Na comparação anual, o contingente de trabalhadores informais diminuiu em 100 mil pessoas, o que representa uma queda de 0,3%.