Drones iranianos de baixo custo desafiam defesa aérea dos EUA, aponta reportagem
Shahed 136, fabricado com materiais simples, pressiona estoques americanos e evidencia guerra assimétrica
O drone Shahed 136, de fabricação iraniana, ganhou notoriedade no recente confronto envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, segundo reportagem do jornal Estadão.
O veículo destaca que a eficácia do Shahed 136 em bloquear o estreito de Ormuz contrasta com os desafios logísticos e burocráticos enfrentados pela poderosa máquina militar dos EUA.
"De um lado, dois porta-aviões, nove destróieres, helicópteros de combate, caças de última geração e baterias antiaéreas ultramodernas, tudo a um custo exorbitante. Do outro, drones. Muitos drones. Produzidos com materiais simples e 'a preço de banana'", ressalta a matéria.
De acordo com o Estadão, a diferença entre o arsenal acessível e eficiente do Irã e as complexidades logísticas e de suprimentos do aparato militar americano tornou-se central na guerra assimétrica no Oriente Médio.
No cenário atual, em que armas de baixo custo e alta precisão ganham espaço, a vantagem não está apenas na tecnologia de ponta, mas na capacidade de produção, adaptação e emprego rápido desses recursos.
Assim, Washington precisa se adaptar ao enfrentamento de armamentos mais simples e acessíveis, como o Shahed, um drone descartável e de baixo custo, frequentemente chamado de "drone suicida".
"Com isso, virou a principal arma utilizada pelo Irã para alcançar uma escala de ataque que não seria possível apenas com suas forças armadas tradicionais", destaca o jornal.
A reportagem observa ainda que o Shahed é quase artesanal, com motor adaptado, peças de alumínio, componentes de impressoras 3D e ogiva convencional.
Trata-se de um drone lento e rudimentar, lançado de trilhos sobre caminhões, com alcance de milhares de quilômetros e custo de dezenas de milhares de dólares — uma fração do valor dos mísseis usados para abatê-lo.
O principal desafio para os EUA é a velocidade de produção de munições de defesa antiaérea: enquanto centenas desses drones podem ser fabricados em poucas semanas, gargalos burocráticos e cadeias de suprimentos frágeis dificultam a reposição dos estoques americanos.
O modelo de suprimentos "just-in-time" evita grandes reservas, mas gera dependência de insumos estrangeiros e prazos de entrega mais longos, levando a uma corrida para que a indústria evite o esgotamento dos arsenais atuais.
O artigo conclui que a dependência de Washington de minerais raros, processados majoritariamente por um único país, prejudica a agilidade, já que sistemas avançados dependem de componentes customizados que utilizam esses materiais.