CIÊNCIA | DESCOBERTA ESPACIAL

Astrofísicos detectam sinal inédito que pode comprovar buracos negros primordiais

Estudo analisa onda gravitacional rara captada pelo LIGO e aponta possível origem da matéria escura

Publicado em 27/03/2026 às 10:20
Ilustração mostra dois buracos negros, tema central da nova descoberta sobre matéria escura. © Foto / NASA/JPL-Caltech

Astrofísicos da Universidade de Miami deram um passo importante rumo à confirmação da existência de buracos negros primordiais, objetos teóricos que teriam surgido na primeira fração de segundo após o nascimento do Universo.

Caso a existência desses objetos seja comprovada, isso poderá elucidar um dos maiores enigmas da cosmologia: a natureza da matéria escura, responsável por cerca de 85% da massa total do Universo.

O estudo, assinado por Nico Cappelluti e Alberto Magaraggia e disponível no servidor de pré-publicação arXiv, baseia-se em dados do observatório LIGO. No final do ano passado, os detectores identificaram uma onda gravitacional incomum, originada da fusão de objetos, sendo que a massa de um deles era inferior à do Sol.

Esse é um dado extremamente relevante: buracos negros "comuns" se formam pelo colapso de estrelas massivas e, por isso, não podem ter menos que 2 a 3 vezes a massa do Sol. Um objeto com massa subsolar só pode ser um buraco negro primordial, formado no ambiente superdenso do Universo primitivo, antes mesmo do surgimento das primeiras estrelas.
Ilustração artística de dois buracos negros
Ilustração artística de dois buracos negros

Os cientistas estimaram a quantidade provável desses objetos e a frequência com que podem ser detectados. Segundo Cappelluti, buracos negros primordiais podem compor uma parte significativa, ou até mesmo a totalidade, da matéria escura, funcionando como a "cola gravitacional" que mantém as galáxias coesas.

Apesar do avanço, os pesquisadores ressaltam: um único sinal não é suficiente para confirmação. Parte da comunidade científica considera que a anomalia pode ser resultado de ruído nos detectores. Para uma confirmação definitiva, será necessário que as redes de observatórios — LIGO (Estados Unidos), Virgo (Itália) e KAGRA (Japão) — registrem mais eventos semelhantes vindos do Universo primitivo.

O futuro dessa área de pesquisa está atrelado a novos projetos. Em 2035, está previsto o lançamento da antena espacial LISA, que terá capacidade para "escutar" ondas gravitacionais originadas das primeiras eras após o Big Bang.

Por Sputinik Brasil