Dólar avança com tensão entre EUA e Irã e petróleo supera US$ 104
Escalada do conflito no Oriente Médio e incertezas sobre energia impulsionam dólar e pressionam o real; desemprego recua no Brasil.
O real volta a ser pressionado nesta sexta-feira (27) pela valorização do dólar e pelo aumento dos rendimentos dos Treasuries e dos títulos europeus, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio e ao temor de que as interrupções no fornecimento de energia possam se estender além do previsto inicialmente.
Além do cenário internacional, investidores avaliam fatores domésticos, como o fluxo cambial negativo, que contribui para a pressão sobre o real, a queda na taxa de desemprego e um saldo de Investimento Direto no País (IDP) suficiente para compensar o déficit em conta corrente.
Israel intensificou ataques contra o Irã, ampliando a ofensiva no Oriente Médio, enquanto Teerã mantém retaliações com mísseis e expande sua atuação na região. Paralelamente, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as negociações avançam e prorrogou o prazo até 6 de abril, mas o Irã nega diálogo, o que mantém elevada a tensão.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) segue com o Estreito de Ormuz fechado, impedindo a passagem de navios ligados a aliados dos EUA e de Israel. Três cargueiros já foram obrigados a recuar após tentativas de travessia.
No Brasil, o governo anunciou que "vai apertar ainda mais a fiscalização" sobre postos de gasolina devido à alta nos preços dos combustíveis.
A taxa de desemprego caiu para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, ante 6,8% no mesmo período de 2025, segundo o IBGE.
O Banco Central informou que o déficit em conta corrente foi de US$ 5,614 bilhões em fevereiro de 2026, levemente acima da mediana das projeções (US$ 5,5 bilhões), mas praticamente metade do registrado em fevereiro de 2025 (US$ 10,245 bilhões). Em 12 meses até fevereiro, o déficit soma US$ 63,444 bilhões, equivalente a 2,71% do PIB.
O Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 6,754 bilhões em fevereiro, abaixo da mediana das projeções do mercado (US$ 7,6 bilhões). Ainda assim, no acumulado de 12 meses até fevereiro, o IDP alcança US$ 75,852 bilhões, ou 3,24% do PIB, indicando fluxo robusto apesar da frustração pontual no dado mensal.