CULTURA E MEMÓRIA

Projeto de Heloísa Helena quer Graciliano Ramos como herói da pátria

Proposta da deputada Heloísa Helena prevê inclusão do escritor alagoano no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, no Panteão da Liberdade, em Brasília

Por Vladimir Barros Publicado em 27/03/2026 às 08:29
Proposta da deputada Heloísa Helena prevê inclusão do escritor alagoano no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, no Panteão da Liberdade, em Brasília

A Câmara dos Deputados passou a analisar, neste mês de março de 2026, um projeto de lei que propõe a inscrição do nome de Graciliano Ramos no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, documento oficial que reúne personalidades fundamentais para a história brasileira.


A iniciativa é de autoria da deputada federal Heloísa Helena, que defende o reconhecimento do escritor alagoano como uma das maiores referências culturais e intelectuais do país. O livro em aço fica depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília, espaço reservado à memória de figuras que contribuíram decisivamente para a construção da identidade nacional.


Pelo texto do projeto, “inscreva-se o nome de Graciliano Ramos no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria” , consolidando uma homenagem institucional de caráter permanente.

Uma obra que ultrapassa a literatura


Nascido em 1892, no município de Quebrangulo, em Alagoas, Graciliano Ramos é considerado um dos maiores escritores da literatura brasileira. Autor de obras consagradas como Vidas Secas, São Bernardo e Memórias do Cárcere, ele construiu uma produção marcada pela denúncia social e pela análise profunda das desigualdades que marcam o país.


A justificativa do projeto destaca que sua literatura “ultrapassou os limites da ficção” e se tornou instrumento de reflexão crítica sobre a realidade brasileira, especialmente no que diz respeito à pobreza, à opressão e ao abandono do sertão nordestino .

Gestão pública e exemplo ético


Além da trajetória literária, o projeto também resgata a atuação de Graciliano na vida pública. Ele foi prefeito de Palmeira dos Índios, onde se destacou por uma administração austera, ética e comprometida com o interesse coletivo.


Seus relatórios administrativos, conhecidos pela clareza e rigor, tornaram-se referência nacional de transparência e responsabilidade no uso dos recursos públicos - um contraste ainda atual no debate sobre gestão pública no Brasil.

Resistência ao autoritarismo


Outro ponto central da proposta é o reconhecimento da postura do escritor diante do autoritarismo. Durante o Estado Novo, instaurado por Getúlio Vargas, Graciliano Ramos foi preso sem acusação formal, em um dos episódios mais emblemáticos de repressão política da época.


A experiência vivida nos cárceres foi posteriormente transformada na obra Memórias do Cárcere, considerada um dos mais importantes testemunhos literários sobre a violência institucional no Brasil.

Reconhecimento nacional


Após deixar a prisão, Graciliano se estabeleceu no Rio de Janeiro, onde passou a integrar o cenário intelectual brasileiro e atuou também como inspetor federal de ensino secundário, participando ativamente dos debates educacionais e culturais do país.


Para a autora da proposta, reconhecer Graciliano Ramos como Herói da Pátria é reafirmar o papel da cultura, da literatura e do pensamento crítico na construção da democracia brasileira.


O projeto ainda será analisado pelas comissões da Câmara e, se aprovado, seguirá para o Senado. Caso se torne lei, o nome do escritor alagoano passará a integrar oficialmente o seleto grupo de personalidades homenageadas no Panteão da Pátria.