INVESTIGAÇÃO NA UNICAMP

Professora da Unicamp teria exposto material biológico a terceiros com ajuda de aluna

Soledad Palameta Miller, presa e liberada provisoriamente, é investigada por manipular amostras virais fora dos protocolos de biossegurança.

Publicado em 26/03/2026 às 21:58
Professora da Unicamp teria exposto material biológico a terceiros com ajuda de aluna Reprodução

A professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Soledad Palameta Miller, presa sob suspeita de furtar material biológico do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia, teria circulado com o material entre diferentes laboratórios da instituição.

De acordo com investigação da Polícia Federal, há indícios de que Soledad acessou diversos espaços com o auxílio de terceiros, manipulando e descartando o material de forma irregular. Ela teve a liberdade provisória concedida pela Justiça de São Paulo na última terça-feira, 24.

Em nota ao Estadão, a defesa de Soledad afirmou que, devido ao sigilo decretado pela 9ª Vara Federal de Campinas, não irá se pronunciar. "Prezando pela segurança jurídica e pelo sigilo dos atos processuais, limitaremos nossas manifestações ao âmbito judicial, em respeito ao devido processo legal", informou a defesa.

Segundo a Polícia Federal, Soledad "manteve sob sua guarda e manipulou amostras biológicas (OGM ou derivados) em ambiente diverso do originalmente autorizado, com deslocamento entre laboratórios e armazenamento irregular, contrariando normas técnicas e institucionais de controle".

Ainda conforme a PF, a conduta da professora expôs a saúde "de terceiros a perigo direto e iminente, diante do risco inerente ao manuseio de amostras virais fora de protocolos de biossegurança".

O desaparecimento de caixas contendo amostras virais, armazenadas em área classificada como NB-3 (de alta contenção biológica e rigorosos protocolos de segurança), foi constatado na manhã de 13 de fevereiro, segundo termo de audiência da Justiça Federal ao qual o Estadão teve acesso.

As investigações apontam que Soledad teria contado com o auxílio de uma aluna para acessar o Laboratório de Doenças Tropicais, onde parte das amostras foi localizada.

Durante buscas, a Polícia Federal encontrou amostras em três locais da universidade:

- Laboratório de Engenharia Metabólica e de Bioprocessos (LEMEB), da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA);

- Laboratório de Cultura de Células;

- Laboratório de Doenças Tropicais (onde Soledad tinha espaço reservado para uso e guarda de material próprio).

Funcionários da universidade relataram que Soledad não possuía laboratório próprio e utilizava espaços cedidos por outros docentes.

Soledad Palameta Miller, de 36 anos, é professora doutora na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) e investigada em inquérito policial instaurado após comunicação da própria Unicamp sobre o desaparecimento do material. Ela é biotecnologista formada pela Universidade Nacional de Rosario (Argentina) e doutora em Ciências na área de Fármacos, Medicamentos e Insumos para Saúde pela Unicamp.

A professora argentina também atuou no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), desenvolvendo projetos em engenharia de vetores virais, imunomodulação e anticorpos monoclonais para terapia de câncer.

Em nota, a reitoria da Unicamp informou que colabora com as investigações da Polícia Federal e instaurou sindicância interna para apurar o caso. "A universidade mantém-se à disposição das autoridades competentes para auxiliar no esclarecimento das circunstâncias dos fatos. Os detalhes do caso serão preservados para não comprometer o andamento das investigações", destacou a instituição.