TJRJ anula sessão que elegeu novo presidente da Alerj
Decisão da desembargadora Suely Lopes Magalhães suspende eleição de Douglas Ruas após questionamentos sobre validade do pleito.
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) anulou, na noite desta quinta-feira (26), a sessão que havia eleito o deputado estadual Douglas Ruas (PL) como novo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Douglas Ruas, único candidato, foi eleito com 45 votos, dos 70 possíveis, para assumir interinamente o comando da Casa. Ele teria até 30 dias para convocar eleição indireta que definiria o novo governador até o fim de 2026. Pela manhã, o presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), cancelou de última hora a reunião do colégio de líderes e convocou a sessão extraordinária.
A votação foi marcada pelo boicote da oposição, que se absteve de registrar presença em protesto contra a convocação do pleito antes da retotalização dos votos para deputado estadual, determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após a cassação do ex-presidente da Casa, Rodrigo Bacellar.
PSD e PDT ingressaram com mandados de segurança para invalidar a eleição. A desembargadora Suely Lopes Magalhães considerou a eleição irregular, afirmando que ela só poderia ocorrer após o reprocessamento da totalização dos votos das Eleições 2022, anulando os 97.822 votos recebidos por Bacellar.
Rodrigo Bacellar e o governador Cláudio Castro foram condenados ontem pelo TSE por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, no caso do chamado escândalo da "folha secreta de pagamento". Bacellar estava licenciado da Alerj desde 10 de dezembro do ano passado.
Bacellar ficou uma semana preso, suspeito de vazar informações sobre operação da Polícia Federal (PF). Em 8 de dezembro do ano passado, a Alerj formou maioria para derrubar a prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente da Casa.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou, em 16 de março, Bacellar, o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, e o desembargador Macário Júdice Neto por obstrução de investigação da PF sobre o Comando Vermelho (CV). Segundo a denúncia, Bacellar e TH Joias teriam utilizado cargos públicos para obstruir a Justiça e proteger interesses ligados à facção criminosa.
Ainda de acordo com a PGR, o desembargador decretou a prisão do ex-parlamentar, mas teria avisado Bacellar previamente, vazando informações sigilosas sobre a operação Zargun, em setembro passado, que tinha como alvo principal o então deputado TH Joias.
Preso desde setembro, TH Joias é acusado de intermediar a compra e venda de armas para o CV. O documento aponta que o vazamento permitiu que ele escapasse antes da chegada da polícia, retirando computadores e mídias de seu gabinete na Alerj e fugindo de casa na véspera da operação.