Galípolo destaca solidez do processo de liquidação do Banco Master
Presidente do BC ressalta fundamentação técnica para evitar questionamentos judiciais e elogia atuação de órgãos de controle
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (26) que a autarquia agiu de forma correta ao estruturar um processo bem fundamentado para a liquidação do Banco Master. Segundo ele, a instituição garantiu ampla oportunidade de esclarecimento ao banco, com justiça para evitar futuros questionamentos judiciais.
“Vale lembrar, e já citei duas vezes, que tanto o Banco Central quanto o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) ainda responderam por processos de liquidação de bancos ocorridos há 50 ou 20 anos”, ponderou Galípolo, durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM). "O processo deve estar bem fundamentado para sobreviver ao longo do tempo."
Galípolo apresentou uma breve cronologia das investigações. Ele explicou que, no final de 2024, o Banco Master foi alertado sobre a necessidade de adequar seu capital, governança e liquidez em um prazo de seis meses.
Em janeiro, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, acordou que o banco estava vendendo novas carteiras para honrar compromissos, o que chamou a atenção da supervisão. Já em fevereiro, um grupo foi criado para analisar a carteira, e o BC solicita diversos esclarecimentos ao Master sobre o processo.
Essas ações deram início à investigação que concluiu que o banco, comandado por Daniel Vorcaro, vendeu até R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito falsas ao Banco de Brasília (BRB). O caso resultou na primeira fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Segundo Galípolo, o BC atuou de acordo com seu mandato e foi especificamente na apuração.
O presidente do BC também agradeceu ao "espírito técnico e comprometimento" da equipe de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), que realizou diligência na autarquia após o ministro Jhonatan de Jesus abrir processo para investigar possíveis resoluções na resolução do Master. Os auditores concluíram que a autoridade monetária agiu corretamente.
“Em um momento como este, é fundamental que cada um de nós — e o jornalismo profissional tem papel relevante nisso — cumpra seu papel institucional com rigor absoluto. O que quero dizer é: não recuar nem ceder sobre nossas prerrogativas e mandatos, nem um milímetro”, concluiu Galípolo.