ECONOMIA SOB PRESSÃO

Em meio à crise no Oriente Médio, Banco Central prevê alta da inflação e queda no PIB

Relatório da autoridade monetária aponta crescimento econômico de 1,6% em 2024, o pior desempenho em seis anos, e inflação acelerando para 3,9%, pressionada pela alta do petróleo.

Publicado em 26/03/2026 às 12:59
Relatório do Banco Central aponta inflação em alta e menor crescimento do PIB devido à crise no Oriente Médio. © Foto / Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Banco Central do Brasil divulgou nesta quinta-feira (26) um relatório que projeta aumento da inflação para 3,9% neste mês e crescimento do PIB de apenas 1,6% em 2024. A informação foi publicada pela agência de notícias Globo.

Segundo o Relatório de Política Monetária, o avanço de 1,6% do PIB, caso confirmado, será o mais baixo desde 2020, quando a economia brasileira registrou retração de 3,3% devido à pandemia de Covid-19. O principal fator apontado para o resultado negativo é a crise gerada pela guerra no Oriente Médio.

O documento destaca que, caso o conflito na região do golfo Pérsico se prolongue, os impactos na economia tendem a se intensificar, podendo reduzir ainda mais o crescimento do PIB neste ano.

"Embora alguns setores da economia brasileira, especialmente o petrolífero, possam se beneficiar, os efeitos agregados predominantes do conflito na economia global e na doméstica devem ser os usuais de um choque negativo de oferta, aumentando a inflação e diminuindo o crescimento [da economia]", informou o BC.

Sobre a inflação, a autoridade monetária estima que a taxa suba de 3,5% em dezembro do ano passado para 3,9% neste ano. Apesar da elevação, a projeção do Banco Central ainda está abaixo da expectativa do mercado financeiro, que prevê inflação de 4,17% para 2026.

O início da guerra no Oriente Médio tem provocado pressão no mercado internacional de energia, elevando o preço do petróleo para níveis acima de US$ 100 por barril — valor significativamente maior que os US$ 72 registrados antes do conflito.

Esse aumento do petróleo já impacta os preços dos combustíveis no Brasil, refletindo diretamente na inflação doméstica, conforme explica o relatório.

"O Comitê [de Política Monetária] considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities [como petróleo] que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil", explicou o Banco Central.