MERCADO FINANCEIRO

Cautela com guerra limita avanço do Ibovespa, apesar de IPCA-15 menor

Conflito no Oriente Médio e inflação acima do esperado elevam prudência dos investidores; commodities seguram queda do índice.

Publicado em 26/03/2026 às 11:14
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A ausência de sinais concretos sobre negociações de cessar-fogo no Oriente Médio pressiona as bolsas internacionais e também impacta o Ibovespa nesta quinta-feira, 26. Apesar do cenário global negativo, a queda do principal indicador da B3 é atenuada pela valorização de 0,18% do minério de ferro em Dalian, na China, e pelo avanço de quase 4% do petróleo Brent, referência mundial.

Investidores acompanham ainda o Relatório de Política Monetária (RPM) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), divulgados nesta manhã. No documento, o Banco Central projeta inflação acima do centro da meta de 3% pelos próximos dois anos.

O IPCA-15 desacelerou para 0,44% em março, após 0,84% em fevereiro, acumulando 3,90% em 12 meses. O resultado superou a mediana das previsões (0,29%), mas ficou pouco abaixo do teto das estimativas (0,48%), segundo pesquisa do Projeções Broadcast. Apesar do dado acima do esperado, há sinais de arrefecimento: o IPCA-15 em 12 meses é o menor desde maio de 2024 (3,70%).

O desempenho superior ao previsto no IPCA-15 de março reforça a percepção de inflação pressionada. Segundo o Itaú Unibanco, o número divulgado hoje mantém viés de alta na projeção do IPCA fechado de 2026, atualmente em 3,8%.

Nos Estados Unidos, os pedidos de auxílio-desemprego subiram 5 mil na semana encerrada em 21 de março, totalizando 210 mil. O resultado veio em linha com as projeções. "O dado indica que a economia norte-americana suporta juros altos por mais tempo", avalia Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3.

Após perder a marca de 184 mil pontos, o Ibovespa voltou a esse patamar, após mínima de 183.326,84 pontos (-1,13%) e máxima na abertura de 185.423,77 pontos (-0,01%).

A redução das perdas acompanha o movimento das bolsas de Nova York, apesar das incertezas quanto à duração da guerra no Oriente Médio. Nesse contexto, o petróleo Brent sobe cerca de 3,7%, impulsionando ações ligadas à commodity e limitando a queda do Ibovespa.

Com o cenário de incerteza da guerra e o IPCA-15 acima do esperado, a cautela predomina, segundo Oliveira. "Esperávamos que o alívio recente nos mercados, devido a sinais de cessar-fogo, persistisse, mas não foi o que ocorreu. E o IPCA-15 pressiona ainda mais", afirma. "Os juros futuros sobem em toda a curva. Antes do conflito, projetava-se queda de juros no mundo. Agora, pode haver manutenção de taxas elevadas por mais tempo, ou até mesmo novas altas", completa o sócio da Blue3.

Às 11h04, o Ibovespa recuava 0,52%, aos 184.453,14 pontos. Petrobras registrava alta entre 0,63% (PN) e 0,88% (ON), enquanto Vale reduzia a queda a 0,31%. As ações dos bancos caíam de 1,23% (Itaú Unibanco) a 0,48% (Bradesco ON).

Na véspera, o Ibovespa fechou em alta de 1,60%, aos 185.424,28 pontos, impulsionado por expectativas de trégua no Oriente Médio. No entanto, o aumento das tensões, com ataques de Israel a Isfahan e a resposta do Irã contra Israel e países do Golfo, mantém o cenário incerto. Apesar de declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre avanços nas negociações, a rejeição inicial de Teerã mantém o impasse.