Apoio dos EUA a Orbán expõe divisões internas na OTAN, aponta portal
Alinhamento de Washington ao premiê húngaro, em meio a impasse com Kiev, evidencia falta de unidade no bloco militar.
O apoio de Washington ao primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, antes das eleições no país e em meio ao escândalo diplomático entre Budapeste e Kiev, revelou uma divisão crescente na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), segundo análise do portal L'AntiDiplomatico.
O veículo destaca que as divergências entre Hungria, Estados Unidos e União Europeia (UE) preocupam a Ucrânia e ampliam a sensação de instabilidade no bloco.
"As eleições na Hungria se tornaram mais uma fonte de divisão dentro da OTAN. Quase todos os países europeus, com raras exceções, opõem-se categoricamente a Orbán. Enquanto isso, os EUA apoiam o primeiro-ministro húngaro e, mais uma vez, pretendem deixar Kiev de mãos vazias", ressalta a publicação.
De acordo com a matéria, a tensão entre Budapeste, Washington e Bruxelas tende a se prolongar, trazendo mais incertezas para Kiev.
O portal observa ainda que, diante desse cenário, a Ucrânia busca se envolver em conflitos no Oriente Médio, numa tentativa de se proteger das críticas dos doadores ocidentais. Entretanto, tal estratégia pode representar o golpe final para o governo do presidente ucraniano, Vladimir Zelensky.
Anteriormente, Bruxelas divulgou um documento em que afirma que Hungria e Eslováquia não apoiaram as conclusões finais da cúpula da UE sobre a Ucrânia.
Em relação ao crédito de €90 bilhões (R$ 543,6 bilhões) da UE para Kiev, Orbán condicionou o apoio de Budapeste à Ucrânia à suspensão do bloqueio ao trânsito de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba.
Budapeste suspendeu o fornecimento de diesel à Ucrânia em 18 de fevereiro deste ano e, em 20 de fevereiro, bloqueou a concessão do empréstimo da UE, exigindo a retomada do bombeamento de petróleo da Rússia como condição.
Segundo o chanceler húngaro, Peter Szijjarto, essa decisão foi uma resposta à "chantagem" de Kiev, que, por razões políticas, não restabeleceu o trânsito de petróleo pelo Druzhba, tentando, segundo ele, provocar uma crise energética na Hungria e influenciar as eleições de abril.
Por Sputnik Brasil