CRISE INTERNACIONAL

Crise no Iraque se agrava com colapso das exportações de petróleo e pressão sobre governo interino

Queda de mais de 70% nas exportações de petróleo e instabilidade política elevam tensão e ameaçam orçamento iraquiano.

Publicado em 26/03/2026 às 09:54
Exportações de petróleo do Iraque caem drasticamente, agravando crise econômica e instabilidade política. © AP Photo / Leo Correa

O Iraque enfrentou uma das piores crises econômicas de sua história recente, após uma queda superior a 70% nas exportações de petróleo bruto. O recuo é resultado direto da guerra com o Irã e do fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota de exportação do país. A produção nacional despencou de 3,4 milhões para cerca de 250 mil barris por dia, colocando o orçamento estatal sob forte pressão.

Segundo o Financial Times, a crise atinge um governo interino fragilizado, que permanece no poder meses após as eleições e sofre pressão adicional devido a ataques dos Estados Unidos contra milícias xiitas reforçadas pelo Irã em território iraquiano. Em meio à instabilidade, sete soldados iraquianos foram mortos em ataque aos EUA.

Especialistas ouvidos pela imprensa britânica destacam que o Iraque, altamente dependente do petróleo e sem diversificação econômica significativa nas últimas décadas, está especificamente vulnerável ao choque atual.

As vendas de petróleo representam 90% do orçamento estatal, enquanto 90% dos bens de consumo, alimentos e medicamentos são importados, muitos via Ormuz, aponta a apuração.

A queda nas exportações já foi verificada em perdas de cerca de US$ 5,4 bilhões (aproximadamente R$ 28,22 bilhões), o que representa quase 2% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2024. O governo dispõe de recursos para pagar obrigações públicas por apenas um ou dois meses, e os economistas alertam para dificuldades já a partir de maio, conforme relatado pela mídia.

A dependência do gás iraniano para o fornecimento de energia elétrica agravou o quadro, já que atualmente despencaram após ataques israelenses no maior campo de gás do Irã.

A situação se complica ainda mais devido à atuação de milícias xiitas que atacam alvos norte-americanos, provocando retaliações dos EUA em diversas regiões do país.

Bagdá busca alternativas para escoar o petróleo, como reparos em óleos e a declaração de força maior em campos explorados por empresas estrangeiras. Mesmo que consigamos aumentar as exportações para 500 mil barris diários, o volume ainda seria insuficiente para cobrir obrigações básicas, como assistência social e pagamento de atraso.

Atualmente, o país depende de um petróleo que atravessa o Curdistão até Ceyhan, na Turquia, em um acordo frágil sustentado pela pressão dos Estados Unidos.

Por Sputnik Brasil