Tratamento da catarata infantil é tema de encontro nos EUA
Representante do Brasil e da América Latina no evento, a Dra. Bruna Ventura falou sobre os procedimentos com o uso de lentes intraoculares para evitar a cegueira em crianças
O uso de lentes intraoculares no tratamento da catarata congênita/pediátrica, doença ocular que pode estar presente desde o nascimento ou surgir ao longo da infância, foi tema de um Workshop Internacional realizado neste mês de março em Boston, nos Estados Unidos, com a presença do Food and Drug Administration (FDA), a agência federal de saúde norte-americana. No encontro, os especialistas discutiram as práticas cirúrgicas em crianças e os avanços nos tratamentos. Esse tema é de suma importância, uma vez que a catarata congênita/pediátrica é a principal causa de cegueira e baixa visão na infância.
A Dra. Bruna Ventura, médica oftalmologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), representou o Brasil e a América Latina neste workshop. “Foi um prazer participar contribuindo com nossa experiência de mais de 30 anos com o implante de lente intraocular em bebês e crianças. Também foi muito interessante conhecer as práticas compartilhadas por cirurgiões do Japão, China, Europa, Estados Unidos e Índia. Com os dados apresentados, os representantes do FDA puderam conferir a eficácia e segurança dos procedimentos”, afirma a médica.
Enquanto em idosos a catarata é consequência do envelhecimento natural do cristalino, a lente natural do olho, nas crianças a doença ocular pode ter relação com fatores genéticos, infecções intrauterinas, diabetes materno mal controlado, parto prematuro, uso de medicamentos na gestação, entre outras causas. A opacificação do cristalino bloqueia a entrada de luz e prejudica o desenvolvimento adequado da visão, podendo evoluir para perda visual significativa ou cegueira, se deixar de ser tratada a tempo.
O diagnóstico é feito pelo Teste do Reflexo Vermelho, também chamado de Teste do Olhinho, exame obrigatório em recém-nascidos, que detecta inúmeras doenças oculares. Ele é realizado por meio de um feixe de luz projetado nos olhos do bebê para verificar o reflexo. O procedimento é indolor e deve ser feito nas primeiras poucas semanas de vida.
“Embora o tratamento da catarata congênita se assemelhe ao da catarata em idosos, com a remoção cirúrgica do cristalino opaco e a implantação de uma lente intraocular, nos bebês o procedimento é mais complexo e exige intervenção imediata para evitar ambliopia (olho preguiçoso) grave. Além de acompanhamento de longo prazo, é necessário fazer a reabilitação visual com óculos, estimulação visual e, muitas vezes, tampão, para estimular o desenvolvimento da visão do olho que foi operado”, explica a Dra. Bruna Ventura.
Desde 1994, o oftalmologista do HOPE Dr. Marcelo Ventura realiza o implante de lentes intra-oculares em crianças. Em 2012, a Dra. Bruna Ventura começou a operar catarata congênita/pediátrica e aprendeu com o Dr. Marcelo sobre a prática de implantar as lentes intraoculares em bebês, a partir de 10 semanas de vida. Isso fez os dois médicos adquiriram muita experiência de longo prazo com pacientes pediátricos.
A médica explica que “a lente intraocular artificial é implantada de forma definitiva corrigindo grande parte do grau desse olho, o que reduz a quantidade de grau a ser corrigido com os óculos. Dessa forma, conseguimos oferecer a essa criança uma visão bem mais nítida durante as horas que ela está acordada, do que se o tratamento fosse feito corrigindo o grau total do olho nos óculos”.
A Dra. Bruna e o Dr. Marcelo Ventura possuem diversos trabalhos publicados na literatura médica e científica sobre o sucesso na implantação de lentes intraoculares na população pediátrica. Hoje, as lentes usadas tanto em crianças quanto em idosos são projetadas com materiais biocompatíveis que interagem com os tecidos e o sangue sem causar efeitos tóxicos, reações imunológicas ou rejeição pelo organismo.