USP propõe gratificação de até R$ 4,5 mil para professores; entenda como será
Nova bonificação busca reter jovens talentos e estimular projetos de extensão, com impacto previsto de R$ 238 milhões ao ano.
A Universidade de São Paulo (USP) deve aprovar, na próxima semana, uma gratificação de até R$ 4.500 mensais para professores que desenvolvem novas atividades, como a oferta de disciplinas em inglês ou projetos com a comunidade externa. De acordo com o reitor Aluísio Segurado, a medida pretende “reter talentos”, especialmente entre os jovens docentes recém-contratados pela instituição.
Denominada Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (GACE), a bonificação terá duração de dois anos e será exclusiva para professores em tempo integral, que representem mais de 80% do corpo docente. Atualmente, o salário inicial de um professor com dedicação exclusiva é de R$ 16,3 mil, o que torna o adicional equivalente a 27% desse valor.
A proposta será votada no Conselho Universitário em 31 de maio. Caso cerca de 5 mil docentes inscrevam projetos, a estimativa anual de gastos é de R$ 238,44 milhões, recursos que, segundo a reitoria, virão dos fundos de reserva da USP e não do Tesouro Estadual.
“Como o valor é fixo para todos, acaba beneficiando ainda mais os jovens talentos, aqueles que estão iniciando a carreira”, afirmou o reitor Segurado ao Estadão. Ele destacou que outro objetivo é incentivo a iniciativas de extensão universitária, como cursos gratuitos para estudantes, atividades para a terceira idade, grupos de robótica e feiras de profissões.
Os professores contemplados começarão a receber a gratificação em 2027. A USP ainda publicará edital detalhando as atividades elegíveis, excluindo aquelas já previstas no escopo de ensino e pesquisa.
O segurado ressaltou que, caso o somatório do salário e da gratificação ultrapasse o teto constitucional do serviço público (atualmente cerca de R$ 46 mil), o valor será ajustado para conformidade com o limite.
Para viabilizar o pagamento, a universidade precisará alterar uma resolução interna que impeça remunerações eventualmente, mudança que também será implementada ao Conselho Universitário.
Passado de crise e falta de professores
Entre 2014 e 2023, a USP perdeu cerca de 800 professores devido a uma crise financeira agravada pela pandemia, período em que novas contratações ficaram suspensas.
Em 2014, após anos de expansão e aumento de vagas, uma crise atingiu seu ápice: mais de 106% do orçamento estava comprometido com a folha de pagamento, situação que só começou a melhorar em 2017. Naquele período, a USP lançou seu primeiro plano de missão voluntária para servidores técnico-administrativos, paralisou obras e prejudicou seu fundo de reserva de R$ 600 milhões. Professores temporários passaram a ser contratados para suprir as necessidades emergenciais.
Com a recuperação financeira, em 2022, a reitoria autorizou novas contratações de forma escalonada até 2025. Contudo, diante de uma greve de alunos e professores em 2023, houve antecipação na abertura de vagas. Nos últimos anos, foram contratados 900 novos docentes e o fundo de reserva da universidade soma hoje R$ 1,17 bilhão.
O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) criticou a proposta, alegando que a reitoria flexibiliza as parâmetros de sustentabilidade para beneficiar apenas professores, sem contemplar os servidores técnico-administrativos. A entidade reivindica reajuste fixo de R$ 1.200 para a categoria.
Segundo o reitor, a universidade deve anunciar em breve propostas para valorização dos servidores.