Crypto Finance vê convergência entre bancos e criptoativos como próximo passo do mercado financeiro
São Paulo, 24 de março de 2026 - A evolução da regulação de ativos digitais e o avanço da participação de instituições financeiras tradicionais no setor estiveram no centro das discussões entre especialistas no MERGE São Paulo 2026. O cenário reforça que a integração entre finanças tradicionais e o ecossistema cripto já está em curso e avança em ritmo acelerado, à frente de outras regiões.
Realizado na semana passada no World Trade Center, em São Paulo, o evento reuniu mais de 300 palestrantes e 40 expositores para discutir o papel dos ativos digitais na construção da nova arquitetura financeira do Brasil e da América Latina.
A Crypto Finance, braço de ativos digitais da Deutsche Börse, esteve presente em diferentes debates com o mercado local, como parte de sua estratégia de expansão no país.
Bancos entram no jogo e o mercado se reorganiza
Com base em conversas com bancos, gestoras, fintechs e empresas nativas do setor cripto, a companhia avalia que o Brasil avança mais rápido do que mercados mais maduros em alguns aspectos da adoção de ativos digitais, especialmente na colaboração entre instituições financeiras, provedores de infraestrutura e reguladores.
“Em comparação com a Europa, onde as estruturas regulatórias estão bem estabelecidas, mas a implementação ainda ocorre de forma gradual, o Brasil apresenta um ambiente mais dinâmico, caracterizado por ciclos de decisão mais rápidos, maior abertura à inovação e maior colaboração entre os setores público e privado”, disse Stijn Vander Straeten, CEO global da Crypto Finance.
Segundo ele, o mercado brasileiro também se destaca pelo nível de profissionalização: “Os principais bancos já estruturaram equipes com dezenas de especialistas dedicados exclusivamente a ativos digitais, tokenização e integração de blockchain.”
Um cenário competitivo em transformação
Durante o painel “What Comes After Crypto Adoption by Banks?”, Alessandro Fuser, Head of Markets da Crypto Finance, destacou a transição de um mercado historicamente liderado por exchanges para um modelo de coexistência, em que bancos e empresas cripto passam a atender diferentes segmentos.
“As exchanges estão incorporando serviços que antes eram exclusivos dos bancos. E os bancos estão entrando no setor cripto. No fim, o ecossistema se expande”, disse Fuser.
Segundo o executivo, a principal questão agora não é mais se esses players vão coexistir, mas como irão redefinir seus papéis, com a tokenização de ativos financeiros e do mundo real impulsionando a próxima fase de crescimento.
Em outro painel, Veronika Kormany, Head of Wallet Infrastructure & Staking, destacou o papel da Crypto Finance em viabilizar que bancos ofereçam serviços de ativos digitais dentro de seus próprios ecossistemas, em conformidade com a regulação. Ela reforçou a importância do alinhamento regulatório e posicionou a empresa como uma ponte entre instituições financeiras e reguladores, especialmente no Brasil, onde o avanço das regras tem acelerado o interesse institucional.
Infraestrutura como diferencial
Como parte da estratégia de expansão no Brasil, a Crypto Finance busca se posicionar como provedora de infraestrutura para o sistema financeiro local. A empresa já iniciou conversas com players relevantes, incluindo grandes exchanges, levando temas como tokenização de ativos e o impacto do blockchain na infraestrutura financeira tradicional para o centro das discussões.
Para Vander Straeten, a convergência regulatória entre diferentes regiões também abre espaço para oportunidades internacionais. “Os objetivos regulatórios são muito semelhantes entre os países. Isso cria espaço para conexões entre mercados, como um corredor entre a Europa e o Brasil”, disse.
Com uma população ampla e digitalizada, um sistema financeiro desenvolvido e uma regulação em evolução, o Brasil e a América Latina são vistos pela empresa como mercados estratégicos para a próxima fase de adoção de ativos digitais.