Custo da cesta básica recua metade das capitais monitorada pela Neogrid e FGV IBRE
São Paulo, março de 2026 – Os preços da cesta básica apresentaram queda em quatro das oito capitais analisadas em fevereiro, segundo levantamento da Cesta de Consumo Neogrid & FGV IBRE. O movimento indica um cenário misto para os alimentos essenciais, com reduções relevantes em algumas capitais e altas pontuais em outras.
Rio de Janeiro segue liderando o ranking como a capital com a cesta básica mais cara do país. Apesar da queda em fevereiro, o valor recuou 1,65%, passando de R$ 989,40 para R$ 973,11. No acumulado de seis meses, a redução foi de 2,07%, saindo de R$ 993,64 em setembro de 2025 para R$ 973,11 em fevereiro de 2026, mantendo um patamar superior ao das demais capitais monitoradas. O Rio convive com custos elevados de forma persistente, reflexo de uma combinação de fatores como alta densidade urbana, logística interna mais cara e um padrão de consumo que pressiona especialmente os preços de proteínas e alimentos frescos.
São Paulo praticamente permaneceu estável em fevereiro, a variação foi de apenas 0,03%, com a cesta indo de R$ 953,25 para R$ 953,56. No semestre, a alta acumulada é de 1,38%, partindo de R$ 940,56, em setembro de 2025, para R$ 953,56 em fevereiro de 2026. Representa o segundo menor ritmo de crescimento semestral entre todas as capitais monitoradas. A trajetória ao longo dos meses foi consistentemente gradual, sem acelerações bruscas, o que posiciona São Paulo como a capital de comportamento mais estável do levantamento em termos de variação mensal.
Belo Horizonte registrou a maior alta mensal entre todas as capitais, 0,86%, com a cesta passando de R$ 717,49 para R$ 723,64. No semestre, o avanço acumulado é de 2,64%, saindo de R$ 705,02 em setembro de 2025 para R$ 723,64 em fevereiro de 2026. Embora ainda seja a capital com a cesta mais barata entre as capitais analisadas, a trajetória de alta consistente neste período é significativa. O movimento pode estar refletindo reajustes graduais em laticínios e alimentos processados, que têm peso relevante na cesta da região.
Salvador ficou praticamente estável em fevereiro, com alta de apenas 0,12%, saindo de R$ 848,98 para R$ 850,03. A variação acumulada durante os seis meses é de 1,68%, indo de R$ 835,98, em setembro de 2025, para R$ 850,03 em fevereiro de 2026, um ritmo moderado, mas persistentemente positivo. Ao longo do semestre, o comportamento foi progressivo e sem reversões, o que indica pressão contínua, ainda que em ritmo controlado. Essa persistência de alta, mesmo em patamar moderado, é o principal ponto de atenção para Salvador no período analisado.
Manaus registrou a maior queda mensal do levantamento, 2,69%, com a cesta recuando de R$ 860,72 para R$ 837,60 em fevereiro. Ainda assim, no acumulado semestral, a variação segue levemente negativa em 0,87%, partindo de R$ 844,93, em setembro de 2025, para R$ 837,60 em fevereiro de 2026. Mesmo com o recuo, Manaus permanece no patamar intermediário alto entre as capitais analisadas, pressionada pelo alto custo do transporte fluvial e pela dependência de produtos industrializados vindos de fora da região.
Fortaleza apresentou a segunda maior queda mensal, de 2,22%, com a cesta caindo de R$ 870,37 para R$ 851,01. No semestre, o resultado acumulado ainda é negativo em 1,30%, saindo de R$ 862,24, em setembro de 2025, para R$ 851,01 em fevereiro de 2026. A queda em fevereiro é expressiva e indica uma aceleração do alívio sobre a cesta no fechamento do período, mais da metade da redução semestral foi concentrada no último mês. Essa dinâmica aponta para uma trajetória de desaceleração de preços que ganhou força em fevereiro, após meses de variações mais contidas ao longo do semestre.
Brasília registrou alta mensal de 0,81%, com a cesta avançando de R$ 830,88 para R$ 837,60. Mas o dado que mais chama atenção é o acumulado semestral de 3,81%, o maior crescimento entre todas as capitais, partindo de R$ 806,83, em setembro de 2025, para R$ 837,60. Ao longo do semestre, a cesta não registrou nenhuma queda, com altas consecutivas em todos os meses do período, o que classifica o movimento de Brasília como o mais persistente e elevado do levantamento, sinalizando um encarecimento contínuo da cesta básica na capital federal.
Curitiba apresentou, em fevereiro, a maior queda mensal entre todas as cidades monitoradas. A capital registrou a redução de 4,21%, com a cesta caindo de R$ 805,73 para R$ 771,88. No acumulado de seis meses, também lidera as reduções: queda de 3,77%, saindo de R$ 802,07, em setembro de 2025, para R$ 771,88. Destaca-se que a queda de fevereiro, sozinha, superou o recuo acumulado de todo o semestre, o que indica que, nos meses anteriores, a cesta operava em patamar elevado, e apenas no fechamento do período registrou uma redução forte o suficiente para inverter o resultado semestral.
Portanto, em uma análise geral do ranking entre as oito capitais, o Rio de Janeiro permanece com a cesta básica com mais custos, com valor médio de R$ 973,11, enquanto Belo Horizonte registra o menor custo, com R$ 723,64. Uma diferença de 34,5% entre capitais do mesmo país. Sendo assim, um reflexo das assimetrias estruturais em logística, tributação (ICMS estadual) e concentração de oferta no varejo alimentar.
Quadro 1 – Preços médios da cesta de consumo básica em fevereiro/26, por capital

Comportamento acumulado no semestre
Quadro 2 – Variação acumulada da cesta de consumo básica em fevereiro/26, por capital

No acumulado dos últimos seis meses, o comportamento da cesta básica apresentou trajetórias bastante distintas entre as capitais monitoradas. Brasília liderou as altas com 3,81%, saindo de R$ 806,83, em setembro de 2025, para R$ 837,60 em fevereiro de 2026, o maior avanço acumulado do período. Na sequência, Belo Horizonte registrou aumento de 2,64%, partindo de R$ 705,02 para R$ 723,64, e Salvador avançou 1,68%, de R$ 835,98 para R$ 850,03. São Paulo apresentou crescimento mais contido, de 1,38%, encerrando o semestre em R$ 953,56.
No sentido oposto, Curitiba registrou a maior queda acumulada do monitoramento, recuo de 3,77%, saindo de R$ 802,07 para R$ 771,88. Rio de Janeiro também encerrou o semestre em queda, com retração de 2,07%, passando de R$ 993,64 para R$ 973,11. Ainda assim, manteve-se como a cesta mais cara entre todas as capitais. Fortaleza e Manaus completam o grupo de capitais com variação negativa no semestre, recuando 1,30% e 0,87%, respectivamente.
O cenário geral do semestre é de heterogeneidade entre as capitais. Enquanto Brasília e Belo Horizonte registraram as altas mais expressivas do período, Curitiba liderou o movimento oposto, com a maior queda acumulada entre todas as capitais monitoradas. Salvador avançou em ritmo moderado, enquanto Fortaleza e Manaus encerraram o semestre em recuo. Rio de Janeiro e São Paulo, apesar de ocuparem os dois primeiros lugares em valor absoluto, apresentaram comportamentos distintos: o Rio de Janeiro com queda acumulada de 2,07% e São Paulo com alta contida de 1,38%.
No balanço do semestre, a amplitude entre a maior alta e a maior queda foi de 7,58 pontos percentuais: distância entre Brasília (+3,81%) e Curitiba (−3,77%), um intervalo expressivo que evidencia o quanto o custo da cesta básica pode variar dentro do mesmo país em apenas seis meses.
Esse conjunto de movimentos reforça que não há uma tendência uniforme no custo da cesta básica no país: cada capital responde a dinâmicas próprias de abastecimento, logística e demanda local, o que torna o monitoramento regional indispensável para uma leitura precisa da inflação sobre o orçamento das famílias brasileiras.
Segundo Anna Carolina Fercher, líder de dados estratégicos da Neogrid, fevereiro trouxe um quadro difuso para a cesta básica, metade das capitais registraram alívio em relação a janeiro de 2026, com destaque para Curitiba (-4,20%), Manaus (-2,69%), Fortaleza (-2,23%) e Rio de Janeiro (-1,65%), por outro lado, Belo Horizonte (+0,86%) e Brasília (+0,81%) tiveram altas moderadas. “Esse comportamento reflete pressões de itens in natura e proteínas mais baratas, como legumes (Salvador +12,76%; Belo Horizonte +9,31%), ovos (São Paulo +6,39%; Belo Horizonte +5,76%) e feijão (Brasília +6,27%; Salvador +4,99%), parcialmente compensadas por quedas em açúcar, arroz e óleo (ex.: açúcar em São Paulo -3,62%; arroz no Rio -4,02%; óleo em Manaus -3,20%). Mesmo com o recuo no mês de fevereiro, o Rio permanece com a cesta mais cara (R$ 973,11), enquanto Belo Horizonte segue com o menor custo (R$ 723,64)”, explica.
Itens que mais pressionam os preços da cesta básica no semestre por capital.
No contexto mensal de fevereiro de 2026, as principais pressões de alta no custo da cesta básica concentraram-se em legumes, ovos e feijão, com comportamento bastante desigual entre as capitais. Em Salvador, o grupo dos legumes registrou avanço mais expressivo do período (12,76%), tornando-se o principal vetor de pressão.
Em São Paulo, os ovos chamaram atenção com alta de 6,39%, acompanhados pelo feijão (4,12%) e pelo bovino (2,51%), compondo um quadro de pressão disseminada sobre os itens proteicos e de base da dieta. Em Brasília, o feijão liderou as altas (6,27%), seguido pelo bovino (4,23%), refletindo a sensibilidade da capital federal às oscilações no abastecimento. Por outro lado, Manaus apresentou o único recuo relevante no feijão (-2,19%), sinalizando dinâmica de oferta regional distinta das capitais analisadas.
Principais itens por capital:
- Belo Horizonte: legumes (9,31%), ovos (5,76%), feijão (3,50%);
- Brasília: feijão (6,27%), bovino (4,23%), ovos (1,38%);
- Curitiba: legumes (6,11%), margarina (1,63%), feijão (2,22%);
- Fortaleza: feijão (3,30%), ovos (1,09%), bovino (0,25%);
- Manaus: bovino (0,28%), feijão (-2,19%), ovos (0,33%);
- Rio de Janeiro: margarina (2,86%), ovos (4,52%), legumes (2,29%);
- Salvador: legumes (12,76%), feijão (4,99%), ovos (0,81%);
- São Paulo: ovos (6,39%), feijão (4,12%), bovino (2,51%).
Quadro 3 – Maiores variações de preços da cesta básica em fevereiro/2026, por capital

No acumulado dos últimos seis meses, o comportamento da cesta básica apresentou trajetórias bastante distintas entre as capitais monitoradas. Brasília liderou as altas com 3,81%, saindo de R$ 806,83, em setembro de 2025, para R$ 837,60 em fevereiro de 2026, o maior avanço acumulado do período. Na sequência, Belo Horizonte registrou alta de 2,64%, partindo de R$ 705,02 para R$ 723,64, e Salvador avançou 1,68%, de R$ 835,98 para R$ 850,03. São Paulo apresentou crescimento mais contido, de 1,38%, encerrando o semestre em R$ 953,56.
Itens que ajudaram a conter o custo da cesta no mês
Por outro lado, itens essenciais exerceram papel relevante na moderação do custo final da cesta básica em fevereiro de 2026, com açúcar, arroz, manteiga e óleo registrando reduções expressivas em diversas capitais, contribuindo para conter uma alta mais generalizada. Rio de Janeiro e Curitiba destacaram-se pela queda do arroz (-4,02% e -3,13%, respectivamente), enquanto Belo Horizonte registrou o maior recuo na manteiga (-3,49%) e São Paulo liderou a retração no açúcar (-3,62%).
O óleo apresentou comportamento em declínio na maior parte das capitais, com Manaus registrando o recuo mais acentuado (-3,20%), seguida por Brasília (-1,91%) e São Paulo (-1,87%), sinalizando algum alívio nos preços desse insumo no período. O suíno, por sua vez, registrou comportamento assimétrico: enquanto Brasília e Manaus registraram quedas expressivas (-7,98% em ambas as capitais), Rio de Janeiro (6,43%) e Salvador (2,63%) apresentaram altas relevantes, indicando desequilíbrios no abastecimento dessa proteína. Esse movimento mostra que o recuo nos preços de commodities alimentares e derivados de uso cotidiano teve papel relevante na contenção do custo médio da cesta básica, oferecendo algum alívio ao orçamento das famílias no período.
Quadro 4 – Menores variações de preços da cesta básica em fevereiro/2026, por capital

Cesta Ampliada: movimentos mistos entre as capitais
A cesta de consumo ampliada, que reúne os 18 itens da cesta básica mais 15 produtos de higiene e limpeza, apresentou comportamento heterogêneo em fevereiro de 2026, com a maioria das capitais registrando recuo nos preços médios mensais, refletindo o alívio observado em commodities alimentares e itens de uso cotidiano identificados no período.
Capitais com queda em fevereiro:
- Rio de Janeiro: -1,40%, totalizando R$ 2.220,68, mantendo-se a cesta mais cara do país;
- Curitiba: -1,45%, chegando a R$ 1.790,69;
- Manaus: -1,30%, fechando em R$ 1.854,83;
- Brasília: -1,18%, totalizando R$ 2.014,56;
- Fortaleza: -0,99%, com R$ 1.915,10;
- Salvador: -0,43%, alcançando R$ 1.930,99.
Capitais com alta em fevereiro:
- Belo Horizonte: 0,97%, totalizando R$ 1.930,91;
- São Paulo: 0,06%, alcançando R$ 2.090,28.
Um ponto que pode ser observado a partir dessa queda de preços em cinco das oito capitais é o reflexo do efeito da política monetária contracionista sobre a demanda das famílias, em um momento em que juros elevados ainda comprimem o crédito e o poder de compra. São Paulo e Belo Horizonte foram as únicas a registrar alta, provavelmente por terem economias locais mais aquecidas, enquanto o Rio de Janeiro, mesmo liderando as quedas, continua sendo a capital com o custo de vida mais elevado do levantamento.
Os produtos industrializados e de higiene pessoal seguiram como principais vetores de pressão na cesta ampliada em fevereiro de 2026, com destaque para o creme dental e os enlatados e conservas. Em Curitiba, o creme dental registrou a maior alta do período (5,16%), enquanto em Brasília o mesmo item avançou 1,95%. No Rio de Janeiro, os enlatados e conservas subiram 4,98%; em Fortaleza, o grupo também pressionou, com alta de 3,40%. Em São Paulo, o chocolate teve aumento de 2,05%, e as verduras registraram o maior avanço entre as capitais (4,89%), sustentando a pressão na cesta no mês.
Destaques por capital:
- Belo Horizonte: creme dental (1,74%), chocolate (0,60%);
- Brasília: creme dental (1,95%), verduras (2,29%);
- Curitiba: creme dental (5,16%), iogurte (1,76%);
- Fortaleza: enlatados e conservas (3,40%), verduras (2,44%);
- Manaus: chocolate (1,08%), enlatados e conservas (1,10%);
- Rio de Janeiro: enlatados e conservas (4,98%), creme dental (1,56%);
- Salvador: iogurte (1,82%), creme dental (0,42%);
- São Paulo: verduras (4,89%), chocolate (2,05%).
Quadro 5 – Preços médios em R$ da cesta de consumo ampliada em fevereiro/26, por capital

Quadro 6 – Maiores variações de preços da cesta ampliada em fevereiro/26, por capital
