EMPREENDEDORISMO

Recorde de abertura de empresas no Brasil em 2025 traz novo foco para empreendedorismo por necessidade

Com 5,1 milhões de novos CNPJs registrados e predominância de pequenos negócios, especialista aponta desafios e riscos de mortalidade para fundadores motivados mais por sobrevivência do que por oportunidade

Por Assessoria Publicado em 24/03/2026 às 10:15
Paulo Motta Divulgação

O Brasil fechou 2025 com um marco histórico na formalização de empresas. Segundo dados consolidados pela emissão de cartões CNPJ da Receita Federal, foram abertas 5,1 milhões de empresas no país, o maior volume registrado na série histórica e 18,6 % acima do total de 2024, quando foram criados 4,3 milhões de novos negócios.

Do total de empresas abertas em 2025, 96 % correspondem a microempreendedores individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs), com destaque para 3,8 milhões de MEIs no período.

O setor de serviços responde por quase 64 % das novas formalizações, seguido por comércio, indústria, construção e agropecuária, mostrando forte participação de atividades de baixa barreira de entrada, típicas de pequenos empreendimentos que muitas vezes nascem da necessidade de gerar renda.

Para o empresário e investidor-anjo Paulo Motta, os números refletem tanto uma abertura de oportunidade quanto um contexto em que muitos brasileiros recorrem ao empreendedorismo como alternativa diante de um mercado de trabalho ainda em transição. “A criação recorde de empresas mostra vitalidade empreendedora. Mas grande parte desses novos negócios nasce em segmentos com baixa escala de receita e sem validação de mercado clara. Quando a motivação principal é sobreviver ou gerar renda imediata, aumentam os riscos de mortalidade nos primeiros anos de operação”, afirma Paulo.

Segundo ele, a distinção entre empreender por oportunidade e por necessidade tem efeitos claros no desempenho dos negócios. “Negócios nascidos por necessidade tendem a começar com menos planejamento, menor capital de giro e pouco preparo para enfrentar ciclos de mercado desafiadores. O empresário pode até gerar renda no curto prazo, mas a sustentabilidade do negócio é uma equação diferente”, analisa.

O ambiente atual, com recorde de formalizações e forte presença de MEIs, reforça a necessidade de debates mais aprofundados sobre a qualidade e a sustentação desses empreendimentos, não apenas a quantidade. “Mais do que celebrar o volume de CNPJs, o momento pede foco em qualidade e sustentação dos novos negócios. Mapear o perfil de quem empreende, ampliar acesso a capacitação prática, mentorias e capital de giro e melhorar a transparência dos indicadores ao longo de 2026 são passos essenciais para reduzir a mortalidade precoce e transformar abertura recorde em geração consistente de renda e emprego”, conclui Paulo Motta.

“Mais do que celebrar o volume de CNPJs, o momento pede foco em qualidade e sustentação dos novos negócios. Mapear o perfil de quem empreende, ampliar acesso a capacitação prática, mentorias e capital de giro e melhorar a transparência dos indicadores ao longo de 2026 são passos essenciais para reduzir a mortalidade precoce e transformar abertura recorde em geração consistente de renda e emprego”, conclui Paulo Motta.