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Otan não confirma ataque do Irã à base do Reino Unido e EUA no Índico

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Publicado em 23/03/2026 às 12:47

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, disse que não pode confirmar que a base militar de Diego Garcia, compartilhada pelo Reino Unido e Estados Unidos no Oceano Índico, foi atingida por mísseis balísticos intercontinentais do Irã no sábado (21).

“Não podemos confirmar isso neste momento, então estamos investigando”, disse o chefe da aliança militar em entrevista exclusiva à emissora CBS News, neste domingo (22). O chefe de Otan é um entusiasta da agressão dos EUA e de Israel contra o Irã.

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Questionado se o Irã teria capacidade balística para atingir cidades europeias, como alegam as autoridades israelenses, Rutte disse que o que eles sabem “com certeza” é que Teerã estaria “muito perto” de ter essa capacidade balística intercontinental.

"Se esse foi o caso da base no Reino Unido, em Diego Garcia, ainda estamos avaliando. Mas, na verdade, significa que eles já possuem essa capacidade. Se não for verdade, sabemos que estão muito perto de tê-la", completou Rutte.

O Irã negou o ataque à base militar conjunta EUA-Reino Unido que fica a mais de 3 mil milhas do território do país persa. 

Teerã sempre informou que seus mísseis tinham alcance de, no máximo, 2 mil quilômetros de distância.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirma que a acusação de que o Irã atacou a ilha de Diego Garcia é uma “falsa bandeira” para acusar Teerã. 

Se fosse confirmado pela autoria do Irã, o ataque poderia arrastar Londres e Otan para a guerra.  

“O fato de até mesmo o secretário-geral da Otan [que notoriamente pressionou os membros da aliança a apaziguar os EUA e apoiar sua guerra ilegal contra o Irã] se recusar a endossar a mais recente desinformação de Israel diz muito: o mundo está completamente exausto dessas histórias batidas e desacreditadas”, disse a porta-voz de Teerã.

Fontes militares dos EUA não foram informadas às agências internacionais de notícias de que o Irã teria lançado mísseis contra essa base conjunta no meio do Oceano Índico, mas que os projetos não atingiram as instalações.

Israel usou essas notícias para insinuar que os países europeus deveriam entrar na guerra. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, disse que o Irã mencionou sua capacidade balística.

"Isso significa que os únicos três países europeus fora do alcance dos mísseis balísticos iranianos são a Islândia, a Irlanda e Portugal. A 4.000 km do Irã, encontram-se Berlim, Paris e Londres", afirmou Gideon nas redes sociais.

Reino Unido

O governo do Reino Unido tem apoiado politicamente a agressão dos EUA e de Israel contra o Irã, chegando a apoio logístico para operações de “defesa” na região de fornecimento.

Na sexta-feira (20), o governo britânico afirmou que os EUA estão usando as bases do Reino Unido “uma autodefesa coletiva da região que inclui operações defensivas americanas para degradar os locais e capacidades de mísseis usados ​​para atacar navios no Estreito de Ormuz”.  

Essa confirmação gerou uma realidade no governo iraniano. O ministro das Relações Exteriores de Teerã, Seyed Abbas Araghchi, destacou que a maioria do povo britânico não quer qualquer participação na guerra.

"Ignorando seu próprio povo, o Sr. Starmer [primeiro-ministro do Reino Unido] está colocando vidas britânicas em perigo ao permitir que bases do Reino Unido sejam usadas para agressões contra o Irã. O Irã exercerá seu direito à autodefesa", alertou Araghchi, antes das acusações de ataques à base de Diego Garcia.

Programa do

Uma das justificativas usadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para atacar o Irã é a alegação de que Teerã estaria próximo de construir missões intercontinentais que poderiam chegar ao território estadunidense. 

Alegação que voltou a ser repetida pelo chefe de Otan, Mark Rutte.

Os próprios serviços de inteligência dos EUA avaliam um tempo mais extenso para o Irã desenvolver esse tipo de tecnologia, sem confirmar que o país perseguiria esse objetivo.

Em audiência no Senado dos EUA na semana passada , a diretora da Inteligência Nacional do país, Tulsi Gabbard, afirmou que o Irã poderia chegar nesse tipo de tecnologia até 2035.

“A comunidade de inteligência disponível que o Irã já declarou capacidade de lançamento espacial e outras tecnologias que poderiam utilizar para começar a desenvolver um míssil balístico intercontinental (ICBM) militarmente viável antes de 2035, caso Teerã tente obrigação com essa capacidade”, disse Gabbard aos senadores. 

A diretora de Inteligência de Washington acrescentou que essas avaliações sobre o programa do Irã estão sendo atualizadas devido à guerra e aos "ataques devastadores às instalações de produção de mísseis, aos estoques e às capacidades de lançamento do Irã".