MERCADO FINANCEIRO

Investidores globais vendem títulos públicos com guerra sem perspectiva de fim

Rendimentos de títulos sobem diante de escalada no Oriente Médio e incerteza sobre o fim do conflito

Publicado em 23/03/2026 às 08:16
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Investidores de todo o mundo intensificaram a venda de títulos públicos nesta segunda-feira, 23, diante do agravamento da guerra no Oriente Médio e de novas ameaças dos Estados Unidos e do Irã a ativos energéticos na região. A tensão aumentou após o presidente americano, Donald Trump, impor ao Irã um prazo de 48 horas para reabrir o Estreito de Ormuz.

A manutenção do bloqueio do Estreito de Ormuz — rota estratégica para o transporte global de energia — manteve o preço do petróleo em alto, elevando as preocupações inflacionárias e fortalecendo expectativas de juros elevados.

“Os mercados de títulos seguem sob pressão significativa, já que o prazo de 48 horas imposto por Trump lança sua sombra”, afirmou Hauke ​​Siemssen, estrategista de juros do Commerzbank. “Os riscos de nova alta do petróleo e as expectativas de inflação parecem elevadas.”

O rendimento do Tesouro de 10 anos atingiu 4.437%, o maior patamar desde julho do ano passado, segundo a Tradeweb. O rendimento do Bund alemão de 10 anos subiu para 3,076%, máximo desde 2011, de acordo com dados da LSEG. Já o rendimento do Gilt britânico de 10 anos avançou para 5.102%, maior nível desde 2008.

Países mais individualizados da zona do euro, como Itália e França, também registaram fortes avanços nos rendimentos, ampliando os spreads em relação à Alemanha.

O rendimento do BTP italiano de 10 anos superou 4% pela primeira vez desde julho de 2024, chegando a 4,055%. O spread entre os papéis italianos e alemães de 10 anos atingiu o maior nível desde meados de 2025, enquanto o diferencial entre França e Alemanha chegou ao maior patamar desde novembro de 2025.

Os movimentos ocorreram enquanto o barril do Brent subia 2%, cotado a US$ 108,55, após ter ultrapassado US$ 119 na semana anterior.

A escalada do conflito aumenta o risco de estagflação — inflação elevada com crescimento económico fraco —, especialmente em países mais dependentes de energia, como os da zona do euro.

“Uma recessão no horizonte parece ter sido precedida, no curto prazo, por estagflação, já que o impacto dos preços mais altos de energia sobre o crescimento global e sobre as pressões inflacionárias mais amplas pesa fortemente sobre o apetite por risco”, avaliaram analistas do First Abu Dhabi Bank, em nota.

A situação permanece incerta quanto à duração e ao estágio do conflito. Ainda assim, os mercados podem se recuperar rapidamente caso haja sinais de desescalada.

“A história mostra que os mercados podem se recuperar rapidamente quando as geopolíticas diminuem”, comentou Mark Haefele, diretor de investimentos do UBS Global Wealth Management, em nota.

Uma eventual resolução do conflito poderia reverter as apostas de alta nos juros e reduzir os preços de energia, segundo Aaron Hill, analista-chefe de mercado da FP Markets. Por outro lado, um conflito prolongado manteria os preços elevados e ampliaria o risco de estagflação, com impacto negativo sobre o crescimento global.

Fonte: Dow Jones Newswires.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.