CRÍTICA INTERNACIONAL

Lula afirma que Conselho de Segurança da ONU tem sido omisso na busca por soluções de conflitos

Em conferência da ONU sobre espécies migratórias, presidente reforça defesa do multilateralismo e critica postura do órgão diante de crises globais

Publicado em 22/03/2026 às 20:31
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou neste domingo, 22, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmando que o órgão tem sido omisso na busca por soluções de conflitos internacionais.

Lula abriu seu discurso durante a sessão especial da 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro (COP15) de Espécies Migratórias da ONU, em Campo Grande (MS), destacando que migrar é um processo natural. "A natureza não conhece limites entre Estados. A onça-pintada movimenta-se por quase todo o território preservado das Américas em busca de áreas para caçar e se reproduzir com segurança. Como ela, todos os anos, milhões de aves, mamíferos, répteis, peixes e até insetos atravessam continentes e oceanos", exemplificou.

Segundo Lula, a COP15 acontece em um momento de grandes tensões geopolíticas. "Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando regra", criticou, sem citar países específicos. O presidente ressaltou que, ao longo de 80 anos, a ONU teve papel relevante em processos como a descolonização, a proibição de armas químicas e biológicas, a recomposição da camada de ozônio, a erradicação da varíola, a afirmação dos direitos humanos e o apoio a refugiados e imigrantes. "Mas o Conselho de Segurança tem sido omisso na busca por soluções de conflitos", reforçou.

Lula alertou ainda que "um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima". Ele voltou a defender o multilateralismo como alternativa para os desafios atuais.

"A história da humanidade também é uma história de migrações, deslocamentos, vínculos e conexões. No lugar de muros e discursos de ódio, precisamos de política de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado. Que esta COP15 seja um espaço de avanços coletivos em defesa da natureza e da humanidade", concluiu.

Este foi o segundo discurso do presidente neste fim de semana com críticas à ONU. No sábado, 21, ao participar do Fórum Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac)-África, realizado em Bogotá, na Colômbia, Lula expressou indignação com a passividade dos membros do Conselho de Segurança diante das guerras.

"O que estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz (nesse momento, Lula bateu na mesa). E são eles que estão fazendo as guerras! E quando é que vamos tomar atitudes para não permitir que países mais poderosos se achem donos dos países mais frágeis?", questionou o presidente.

COP15

A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS) é realizada pela primeira vez no Brasil, em Campo Grande (MS), de 23 a 29 de março de 2026. O Brasil exerce a presidência da conferência pela primeira vez.

Acompanharam o presidente na sessão de abertura os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; as ministras do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva; e do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. Também esteve presente o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), além de outras autoridades locais.

Antes da sessão, Lula reuniu-se bilateralmente com o presidente do Paraguai, Santiago Peña, que também participou do evento. Diferente de Lula, Peña não comentou questões de política internacional.