Israel intensifica ataques e destrói ponte estratégica no sul do Líbano
Ação visa cortar rotas do Hezbollah, mas agrava crise humanitária ao isolar civis e elevar tensão regional
Israel ampliou neste domingo (22) sua ofensiva no sul do Líbano, destruindo pontes estratégicas sobre o rio Litani. Segundo o ministro da Defesa, Israel Katz, as estruturas são utilizadas pelo Hezbollah para transportar combatentes e armamentos em direção à fronteira sul.
Entre os alvos, a ponte Qasmiyeh, importante elo logístico que conecta a rodovia costeira ao interior do país, foi bombardeada. A destruição das pontes aprofunda o isolamento dos moradores da região, dificultando a fuga de civis e o acesso a serviços essenciais.
Katz também ordenou que as Forças de Defesa de Israel acelerem a demolição de casas libanesas próximas à fronteira. A medida, segundo ele, visa “frustrar ameaças” contra comunidades israelenses do norte, replicando táticas já empregadas na Faixa de Gaza.
O conflito entre Israel e o Hezbollah, aliado do Irã, ocorre paralelamente à guerra em Gaza e se intensificou desde o início deste mês, após o lançamento de foguetes pelo grupo libanês em retaliação a ataques contra o Irã. Em resposta, Israel tem realizado uma ampla campanha militar no território libanês.
De acordo com o governo do Líbano, mais de um milhão de pessoas já foram deslocadas e mais de mil morreram desde o início das hostilidades. A população teme uma nova ocupação israelense no sul do país, região controlada por Israel até o ano 2000.
O ministro israelense argumenta que as pontes sobre o rio Litani são usadas para “fins terroristas”, mas reconhece que as mesmas rotas também servem para civis que buscam segurança no norte do Líbano.
Horas após as declarações de Katz, forças israelenses bombardearam outra ponte próxima a Qasmiye, nos arredores da cidade costeira de Tiro.
Além das pontes, a ordem para acelerar a destruição de residências em cidades fronteiriças libanesas reforça a tática de criar zonas de segurança, semelhante ao que foi feito em Gaza, onde extensas áreas foram despovoadas e devastadas durante o conflito com o Hamas.
Neste domingo, um cidadão israelense morreu após um ataque do Hezbollah, segundo autoridades locais. O serviço de emergência Magen David Adom informou que a vítima foi encontrada presa em um carro em chamas.
A escalada recente começou após o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, nos primeiros ataques da guerra entre EUA, Israel e Irã. O conflito entre Israel e Hezbollah já se transformou em guerra declarada diversas vezes nos últimos anos.
Após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza, o Hezbollah intensificou ataques com foguetes e drones em apoio aos palestinos. Em resposta, Israel assassinou o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, levando o grupo a aceitar um cessar-fogo. Apesar da trégua, Israel continuou a bombardear alvos do grupo libanês.
Mesmo enfraquecido, o Hezbollah não respondeu militarmente de forma significativa, mas também rejeitou apelos do governo libanês e da comunidade internacional para depor as armas.
Com informações de agências internacionais.