DISCURSO

Lula critica Conselho da ONU ao falar em 'maior número de conflitos' desde 2ª Guerra

Em discurso na Celac, presidente exaltou autonomia da América Latina

Por Redação ANSA Publicado em 21/03/2026 às 20:25
Lula discursou em cúpula da Celac em Bogotá © ANSA/EPA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou preocupação com os conflitos mundiais em andamento durante discurso neste sábado (21) na abertura do fórum da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e África, na Colômbia.

"Estou extremamente preocupado do que está acontecendo no mundo de hoje: estamos vivendo a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial", afirmou Lula na ausência do anfitrião da cúpula, Gustavo Petro, que chegou atrasado ao evento.



"É importante que a gente não perca de vista que, enquanto se gastou ano passado US$ 2,7 trilhões em armas e guerras, nós ainda temos 630 milhões de pessoas passando fome", acrescentou.

Segundo o chefe de Estado brasileiro, "o que estamos assistindo no planeta é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas", citando os conflitos na Faixa de Gaza, Ucrânia e Irã como exemplos.

"O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz, mas são eles que estão fazendo as guerras. Quando é que a gente vai tomar uma atitude para não permitir que os países mais poderosos se achem donos dos mais frágeis?", criticou Lula, que apesar de não ter mencionado o nome de seu homólogo americano, Donald Trump, comentou as mais recentes ações dos Estados Unidos, como os ataques contra o Irã, a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e o aumento das sanções a Cuba.

"Invadiram o Irã. E o que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático?", questionou o líder brasileiro.

Lula falou ainda das terras raras e dos minerais críticos na América Latina, que não deve aceitar ser explorada por estrangeiros.

"Eles querem ser donos dos minerais críticos e das terras raras que nós temos. É a chance da América Latina não aceitar ser apenas exportador de minerais para eles", disse Lula, acrescentando: "Quem quiser que venha se instalar e produzir no país, para que a gente tenha a chance de desenvolver as nossas nações".