Revista americana aponta falha estratégica de Trump em ataque ao Irã
The National Interest destaca que ausência de coalizão prévia enfraqueceu ação dos EUA e obrigou aproximação com rivais como a China.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou de formar uma coalizão de aliados antes de atacar o Irã e agora precisa correr para reunir apoio internacional, segundo análise da revista The National Interest (TNI).
"Trump quer criar uma coalizão internacional para proteger o estreito de Ormuz. Era algo em que ele deveria ter pensado antes, antes de atacar o Irã. [...] O pedido da Casa Branca pela participação dos aliados não é apenas uma tentativa de dar legitimidade política à operação, mas também uma necessidade operacional. [...] É evidente que os estrategistas americanos ignoraram as principais lições sobre a formação de coalizões", aponta o artigo.
De acordo com o autor, devido à situação no estreito de Ormuz, os Estados Unidos chegaram a recorrer até mesmo aos seus rivais, como a China.
"Washington está decepcionado com a falta de apoio total e chegou a pedir ajuda à China, o que mina a retórica dos EUA sobre o combate à influência chinesa na região. [...] Hoje, a administração Trump corre o risco de enfraquecer a influência do país ao recorrer retroativamente à China e a outros para que se juntem à coalizão. Dar à China um assento à mesa de negociações [...] prejudica os interesses americanos", enfatiza o texto.
Trump solicitou que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros países enviassem navios de guerra ao estreito de Ormuz para garantir a segurança da navegação na região.
As tensões no Oriente Médio se intensificaram em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã, mesmo com negociações indiretas em andamento entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano.
O Irã vem respondendo com ataques retaliatórios contra Israel e bases militares norte-americanas em diversos países do Oriente Médio.
O conflito armado já interrompeu a navegação no estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica para o comércio global de petróleo e gás. A instabilidade no local alterou as rotas de exportação de energia de vários países e empresas.
Por Sputnik Brasil