CONFLITO INTERNACIONAL

Rússia pode se beneficiar de escassez de munição provocada por guerra no Irã

Conflito no Oriente Médio pressiona estoques ocidentais e dificulta envio de armas para a Ucrânia, aponta análise internacional.

Publicado em 21/03/2026 às 11:58
Conflito no Irã afeta envio de munições à Ucrânia e pode favorecer interesses russos, diz análise. © AP Photo / Alex Brandon

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pode se beneficiar da escassez de armamentos provocada pela campanha militar dos EUA contra o Irã, o que traz impactos também para a Ucrânia, segundo análise do portal Daily Express.

A publicação destaca que, embora a Ucrânia não deva ficar totalmente sem fornecimento de armas, os prazos para envio tendem a ser ampliados.

"As decisões sobre a alocação de recursos para Kiev se tornarão mais políticas, e é exatamente desse tipo de atrito que a Rússia se beneficia", ressalta o texto.

De acordo com o portal, o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, já reconheceu que Kiev enfrenta escassez de mísseis em razão do conflito no golfo Pérsico.

Além disso, a guerra no Oriente Médio não apenas esgota os estoques de munição, mas também reduz a capacidade ociosa do sistema, mesma margem que tem sustentado a Ucrânia até agora.

O texto relembra ainda que, durante o governo de Donald Trump, os Estados Unidos diminuíram significativamente a assistência militar à Ucrânia.

Nesse cenário, países da União Europeia (UE) buscam apoiar Kiev com munições, mas a dependência do bloco em relação aos suprimentos dos EUA permanece, já que a produção própria é insuficiente.

Assim, caso a Europa fosse envolvida em um grande conflito, seus estoques de munição se esgotariam antes de serem reabastecidos.

"Isso fica ainda mais claro quando se faz uma comparação básica com a Rússia. Enquanto a Rússia consegue produzir o equivalente a cerca de 50.000 toneladas de TNT por ano, a Europa produz internamente apenas cerca de 6.000 toneladas", acrescenta o portal.

O artigo conclui que as guerras modernas consomem mísseis e interceptores em ritmo acelerado, enquanto a capacidade da UE de repor esses equipamentos é muito menor do que muitos formuladores de políticas admitem.

Em 28 de fevereiro, EUA e Israel iniciaram uma série de ataques contra alvos no Irã, incluindo Teerã. Em resposta, o Irã realizou ataques de retaliação contra o território israelense e contra alvos militares dos EUA no Oriente Médio.

Como resultado, a navegação pelo estreito de Ormuz, rota crucial para o abastecimento global de petróleo e gás natural liquefeito do golfo Pérsico, praticamente foi interrompida.

Por Sputnik Brasil