Astrônomos observam, pela primeira vez, o nascimento de um magnetar após supernova
Fenômeno raro foi registrado a um bilhão de anos-luz da Terra e confirma teoria sobre a origem de supernovas ultraluminosas.
Em dezembro de 2024, uma equipe de astrônomos utilizando uma rede de 27 telescópios do Observatório Las Cumbres registrou uma explosão da estrela massiva SN 2024afav, localizada a um bilhão de anos-luz da Terra. O evento foi classificado como uma supernova ultraluminosa, com brilho dez vezes superior ao das supernovas verdadeiramente.
Durante 200 dias, os cientistas monitoraram a evolução da luminosidade da SN 2024afav. Ao contrário do enfraquecimento gradual normalmente observado, uma supernova apresentou quatro picos consecutivos de brilho — um comportamento inédito, segundo a publicação da Live Science.
Uma análise revelou que esses picos na curva de luz são resultado do efeito Lense-Thirring, previsto por Albert Einstein, no qual um objeto massivo em rotação distorce o espaço-tempo ao seu redor.
Os pesquisadores concluíram que, no centro da SN 2024afav, formou-se um magnetar — uma estrela de nêutrons com rotação acelerada e campo magnético centenas de vezes mais intenso que o dos pulsares comuns. Parte do material ejetado pela explosão retornou ao magnetar, formando um disco de acreção. A assimetria entre o disco e o eixo de rotação do magnetar provocou uma oscilação precessional, responsável pelos lampejos de brilho detectados.
Simulações apontam que o novo magnetar gira cerca de 238 rotações por segundo e possui campo magnético aproximadamente 300 trilhões de vezes mais intenso que o da Terra. É a primeira confirmação direta, por meio de observações, da teoria de que supernovas ultraluminosas podem ser originárias de magnetares.
A descoberta valida uma hipótese proposta há 16 anos, que sugere que parte das supernovas ultraluminosas deve seu brilho excepcional à presença de magnetares. Os autores do estudo destacam, porém, que nem todas essas descrições seguem esse mecanismo; outros cenários incluem a interação das ondas de choque com o material ao redor ou a formação de um buraco negro.
Com informações da Sputnik Brasil