ASTRONOMIA • DESCOBERTA INÉDITA

Astrônomos observam, pela primeira vez, o nascimento de um magnetar após supernova

Fenômeno raro foi registrado a um bilhão de anos-luz da Terra e confirma teoria sobre a origem de supernovas ultraluminosas.

Publicado em 21/03/2026 às 10:35
Registro inédito do nascimento de um magnetar após explosão de supernova ultraluminosa em galáxia distante. © Foto / ICRAR

Em dezembro de 2024, uma equipe de astrônomos utilizando uma rede de 27 telescópios do Observatório Las Cumbres registrou uma explosão da estrela massiva SN 2024afav, localizada a um bilhão de anos-luz da Terra. O evento foi classificado como uma supernova ultraluminosa, com brilho dez vezes superior ao das supernovas verdadeiramente.

Durante 200 dias, os cientistas monitoraram a evolução da luminosidade da SN 2024afav. Ao contrário do enfraquecimento gradual normalmente observado, uma supernova apresentou quatro picos consecutivos de brilho — um comportamento inédito, segundo a publicação da Live Science.

Uma análise revelou que esses picos na curva de luz são resultado do efeito Lense-Thirring, previsto por Albert Einstein, no qual um objeto massivo em rotação distorce o espaço-tempo ao seu redor.

Os pesquisadores concluíram que, no centro da SN 2024afav, formou-se um magnetar — uma estrela de nêutrons com rotação acelerada e campo magnético centenas de vezes mais intenso que o dos pulsares comuns. Parte do material ejetado pela explosão retornou ao magnetar, formando um disco de acreção. A assimetria entre o disco e o eixo de rotação do magnetar provocou uma oscilação precessional, responsável pelos lampejos de brilho detectados.

Simulações apontam que o novo magnetar gira cerca de 238 rotações por segundo e possui campo magnético aproximadamente 300 trilhões de vezes mais intenso que o da Terra. É a primeira confirmação direta, por meio de observações, da teoria de que supernovas ultraluminosas podem ser originárias de magnetares.

A descoberta valida uma hipótese proposta há 16 anos, que sugere que parte das supernovas ultraluminosas deve seu brilho excepcional à presença de magnetares. Os autores do estudo destacam, porém, que nem todas essas descrições seguem esse mecanismo; outros cenários incluem a interação das ondas de choque com o material ao redor ou a formação de um buraco negro.

Com informações da Sputnik Brasil