'Por um fio': cúpula esvaziada da Celac escancara divisão regional, apontam analistas
Encontro de chefes de Estado evidencia fragilidade do bloco diante de divergências políticas e influência dos EUA
Divisões políticas e ausência de lideranças marcam a 10ª cúpula da Celac. A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) realiza neste fim de semana sua 10ª cúpula de chefes de Estado. Apesar do objetivo do encontro ser reunir as principais lideranças da América Latina e do Caribe, apenas o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi; O primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, confirmou a presença, além do anfitrião, do presidente colombiano Gustavo Petro.
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas apontam que a Celac atravessa um dos momentos mais delicados de sua história, em razão de uma região marcada por divergências políticas profundas e abordagens diferentes em temas como segurança pública. Soma-se a isso uma crescente influência das políticas de Washington na região.
O pesquisador Ghaio Nicodemos aplicou o esvaziamento da cúpula, em parte, aos discursos e ações do ex-presidente Donald Trump, destacando especialmente as ausências da Argentina e do Equador, países atualmente alinhados aos Estados Unidos. Para Nicodemos, o avanço do que ele denomina de extrema-direita supera, atualmente, a ascensão dos governos liberais da década passada na América do Sul. Segundo ele, a postura governante dessas pessoas provocou um "estrago" na institucionalidade regional.
Já a internacionalista Regiane Bressan observou que as nações das Américas enfrentam um momento de fragmentação de sua unidade, e a Celac não conseguiu responder especificamente a esse desafio. Para Bressan, o regionalismo latino-americano está passando pelo seu “teste máximo” de resiliência.
“A Celac busca ser um fórum em que a região fale por si, sem a influência direta dos Estados Unidos. No entanto, o bloco sofreu grande fragmentação.
Por Sputnik Brasil