CRISE SOCIAL

Argentina enfrenta nova greve geral durante votação da reforma trabalhista no Senado

Paralisação organizada por mais de 100 sindicatos pressiona votação de proposta polêmica do governo Milei; CGT opta por aguardar decisão judicial.

Publicado em 27/02/2026 às 09:18
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Argentina enfrentou uma nova greve geral nesta sexta-feira, 27, coincidindo com o início da votação da proposta de reforma trabalhista pelo presidente Javier Milei no Senado. O texto foi aprovado na Câmara dos Deputados na madrugada da última sexta-feira, 20, apenas um dia após outra paralisação nacional.

A mobilização é coordenada pela Frente Sindical Unida (FreSU), que reúne mais de 100 sindicatos, entre eles a Associação dos Trabalhadores do Estado, o Sindicato dos Metalúrgicos e o Sindicato dos Petroleiros.

Com duração prevista de 24 horas, a paralisação começou à meia-noite desta sexta-feira. De acordo com os organizadores, apenas o número mínimo de funcionários está bloqueado nos hospitais, e somente voos médicos e estatais, operados pela Administração Nacional de Aviação Civil, seguidores autorizados. Diversos serviços estão afetados, como coleta de lixo, policiamento municipal e fiscalização de trânsito.

Os manifestantes deverão iniciar a concentração a partir das 10h na Avenida de Mayo, uma das principais vias de Buenos Aires, com marcha prevista até o Congresso Nacional.

Diferentemente da paralisação de 20 de fevereiro, a greve desta sexta-feira não conta com o apoio da Confederação Geral do Trabalho (CGT), maior central sindical argentina. A entidade decidiu não convocar mobilizações de rua, preferindo aguardar o resultado da votação no Senado e, caso a proposta seja aprovada, recorrendo à Justiça.

O governo argentino defende que uma reforma trabalhista é fundamental para reduzir a informalidade — que atinge mais de 40% do mercado de trabalho — e estimular a geração de empregos, sobretudo pela redução de encargos tributários aos públicos. Já a CGT sustenta que as mudanças são inconstitucionais.

Entre os principais pontos em debate está a ampliação da jornada de trabalho. Atualmente, o limite é de oito horas diárias e 48 horas semanais. Se aprovado, a nova lei poderá permitir jornadas de até 12 horas diárias, desde que respeitado o intervalo mínimo de 12 horas de descanso.

A proposta prevê também que as horas extras possam ser compensadas com folgas, mediante acordo entre trabalhadores e trabalhadores, em vez de pagamento em dinheiro. Atualmente, a legislação determina pagamentos adicionais para horas extras.

Para ser aprovado na Câmara, o texto passou por cerca de 30 alterações, incluindo a retirada dos artigos que permitiam o pagamento de atualização em moeda estrangeira e mudanças nas regras de licenças médicas. O projeto já havia sido aprovado no Senado, mas, como modificações, precisa ser reavaliado pelos senadores.

Redução da maioridade penal

Além da reforma trabalhista, o Senado argentino deve discutir ainda nesta sexta-feira a proposta de redução da maioridade penal de 16 para 14 anos. O texto foi aprovado na Câmara no início do mês, com 149 votos completos e 100 contrários.