ASTRONOMIA

Onda de choque inédita em anã branca desafia modelos sobre sistemas binários extremos

Descoberta em sistema sem disco de acreção sugere novos mecanismos de ejeção de matéria e desafia teorias atuais

Publicado em 12/01/2026 às 09:42
Onda de choque inédita envolve anã branca RXJ0528+2838 e desafia modelos de sistemas binários extremos. © Foto / WikiImages

Astrônomos detectaram uma onda de choque brilhante ao redor da anã branca RXJ0528+2838, localizada a 731 anos-luz da Terra, mesmo sem a presença do tradicional disco de acreção que costuma explicar esse fenômeno. A descoberta desafia os modelos atuais sobre o fluxo de matéria em sistemas binários extremos e aponta para a existência de mecanismos ainda desconhecidos.

Considerada um sistema tranquilo e sem disco de acreção, RXJ0528+2838 surpreendeu os pesquisadores ao exibir uma nebulosa intensa e incomum. As anãs brancas são remanescentes ultradensos de estrelas como o Sol, formados após o colapso do núcleo estelar ao término da fusão nuclear. Apesar de terem dimensões semelhantes às da Terra, podem concentrar até 1,4 vez a massa solar e, em sistemas binários, frequentemente absorvem material da estrela companheira, provocando erupções termonucleares.

A imagem quadrada central, obtida com o instrumento MUSE do Telescópio Muito Grande do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), mostra ondas de choque ao redor da estrela morta RXJ0528+2838
A imagem obtida pelo ESO mostra ondas de choque ao redor da anã branca RXJ0528+2838

Em geral, ventos estelares e discos de acreção são os principais responsáveis por fluxos de saída que criam ondas de choque ao colidir com o meio interestelar. No entanto, RXJ0528+2838 não possui disco, embora conte com uma companheira de baixa massa. Ainda assim, a onda de choque observada — rica em hidrogênio, oxigênio e nitrogênio — indica um fluxo contínuo que perdura há cerca de mil anos, comportamento incompatível com explosões rápidas típicas de eventos termonucleares.

Os pesquisadores sugerem que o forte campo magnético da anã branca pode desviar o material da companheira diretamente para sua superfície, dispensando a formação do disco de acreção. Esse processo seria capaz de manter fluxos de saída persistentes, mesmo sem os mecanismos tradicionais associados a sistemas binários ativos.

Para a equipe, o fenômeno desafia o entendimento atual sobre a movimentação e interação da matéria em sistemas extremos. A existência de um fluxo tão intenso em um sistema considerado estável e silencioso indica que há processos físicos ainda não compreendidos atuando nessas estrelas mortas.

A descoberta levanta novas questões sobre a dinâmica de anãs brancas magnetizadas e sugere que mecanismos alternativos de ejeção de material podem ser mais frequentes do que se pensava, exigindo revisões nos modelos que explicam a evolução e o comportamento desses remanescentes estelares.

Por Sputnik Brasil