TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Trump descarta envio de tropas ao Irã em possível intervenção dos EUA, informa CNN

Apesar de avaliar opções militares, governo americano não considera ação terrestre direta contra o Irã neste momento.

Publicado em 11/01/2026 às 15:12
Donald Trump descarta envio de tropas ao Irã em meio à escalada de tensões e protestos no país. © AP Photo / Mark Schiefelbein

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não cogita o envio de tropas para o Irã em caso de uma eventual intervenção norte-americana. A informação foi divulgada neste domingo (11) pela emissora CNN, que cita um funcionário da Casa Branca.

O jornal New York Times havia reportado anteriormente que Trump recebeu informações sobre possíveis ataques ao Irã, em meio à onda de protestos no país, e estaria considerando seriamente autorizar ações militares.

"As opções que o presidente (Trump) está considerando não incluem o envio de um contingente militar ao território do Irã", destacou a CNN, citando uma autoridade da Casa Branca.

Já o portal Axios informou que fontes do governo afirmam que "todas as opções estão sobre a mesa" no caso iraniano, embora nenhuma decisão definitiva tenha sido tomada até agora. As discussões incluem ataques militares, mas a maioria das alternativas analisadas não prevê ações diretas. Ainda assim, autoridades reconhecem que é difícil prever qual decisão Trump poderá tomar.

Irã eleva o tom e ameaça reação

Com o aumento das tensões, o Irã endureceu o discurso contra Estados Unidos e Israel. Autoridades iranianas alertaram que qualquer bombardeio americano ao país resultará em ataques diretos a Israel e a bases e navios militares dos EUA na região. O alerta foi feito pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf.

O governo iraniano acusa EUA e Israel de fomentarem a instabilidade interna. O presidente Masoud Pezeshkian declarou que potências estrangeiras estariam "semeando caos" no país e pediu à população que se distancie do que classificou como atos de desordem.

Trump chegou a advertir as autoridades iranianas sobre possíveis reações caso haja mortes de manifestantes no país. Além disso, o presidente norte-americano afirmou que os Estados Unidos estão prontos para "ajudar" o Irã.

No sábado (10), Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979, publicou um vídeo na rede social X convocando a população iraniana para uma greve geral, defendendo a tomada e manutenção de ruas e instalações estratégicas. Pahlavi já havia solicitado anteriormente ao presidente dos EUA uma intervenção na situação iraniana.

Após os apelos de Pahlavi, as manifestações se intensificaram desde 8 de janeiro, com vídeos nas redes sociais mostrando protestos em larga escala. No mesmo dia, houve interrupção do acesso à internet no país.

Em resposta às declarações internacionais, o chanceler iraniano Abbas Araghchi reforçou que os assuntos internos do Irã cabem somente ao próprio país e que nenhum agente externo tem o direito de interferir.

Os protestos no Irã começaram no fim de dezembro de 2025 devido à desvalorização do rial iraniano. O foco das manifestações tem sido as fortes oscilações cambiais e o impacto nos preços do atacado e varejo. Segundo o Banco Central iraniano, a inflação anual chegou a 38,9%, enquanto a moeda local segue em queda acelerada.

Por Sputnik Brasil