PROTESTOS NA EUROPA

Agricultores franceses bloqueiam porto de Le Havre contra acordo Mercosul-UE

Manifestação intensifica mobilizações na França e em outros países europeus após aprovação do acordo comercial.

Publicado em 11/01/2026 às 14:09
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Centenas de agricultores franceses passaram a noite de sábado (10) bloqueando a entrada do porto de Le Havre, no noroeste da França, em protesto contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado na sexta-feira passada. Os manifestantes montaram barreiras neste domingo (11) para controlar a entrada de caminhões e fiscalizar produtos alimentares que entram e saem do porto, conforme informações da imprensa local.

O objetivo dos agricultores é impedir a circulação de alimentos que não cumpram as rigorosas normas sanitárias e ambientais exigidas dos produtores franceses e europeus.

De acordo com Justin Lemaître, secretário-geral dos Jovens Agricultores de Seine-Maritime, a operação busca se preparar para a segunda-feira, quando cerca de 5 mil caminhões devem passar pelo local diariamente. Lemaître destacou à rádio Franceinfo que não há "oposição direta" das forças de segurança, que acompanham a ação à distância.

As manifestações se espalham por vários pontos da França neste domingo. Na Saboia, cerca de 50 agricultores bloqueiam, desde quinta-feira, o depósito de petróleo de Albens, na comuna de Entrelacs. Barreiras também foram erguidas nas rodovias A63, em Bayonne, e A64, em Carbonne, ao sul de Toulouse.

O movimento faz parte de uma onda de protestos que atinge diversos países europeus nos últimos dias. Na sexta-feira, ocorreram manifestações na Polônia e na Itália, seguidas por atos na Irlanda e na Espanha no sábado.

Federação anuncia 'maratona de mobilizações'

Em comunicado, a Federação Nacional dos Sindicatos de Exploração Agrícola (FNSEA), principal entidade dos agricultores franceses, afirmou que irá "prosseguir sua maratona de mobilizações para obter resultados concretos".

O texto reconhece avanços pontuais nas negociações com o governo, "notadamente sobre o apoio aos setores em crise (grandes culturas e viticultura)", mas critica a ausência de medidas estruturantes.

A FNSEA delineou uma estratégia em três etapas para as próximas semanas. Primeiro, fiscalizar produtos importados em portos e rodovias. "Se a Europa se recusa a controlar as importações, os agricultores cuidarão disso", declarou a federação.

A segunda etapa prevê uma grande mobilização em Estrasburgo. FNSEA e Jovens Agricultores convocaram um protesto para 20 de janeiro em frente ao Parlamento Europeu, buscando pressionar contra o acordo UE-Mercosul e ressaltando que os parlamentares "dispõem de alavancas jurídicas e políticas".

A terceira frente de ação envolve a apresentação de uma proposta de lei sobre soberania alimentar. "A FNSEA lembra que os agricultores precisam de uma visão clara da política agrícola conduzida pela França para alcançar a soberania alimentar", afirma o comunicado.

A ratificação do acordo comercial ainda depende de votação no Parlamento Europeu. A assinatura do acordo está prevista para o próximo sábado, no Paraguai.