Reino Unido e União Europeia avaliam envio de tropas à Groenlândia e sanções contra empresas dos EUA
Movimento ocorre após ameaças do presidente Donald Trump de anexar o território ártico; resposta europeia pode incluir sanções e expulsão de tropas americanas
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, está em diálogo com aliados europeus sobre um possível envio de tropas da OTAN para a Groenlândia, após ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexar o território ártico. A informação foi divulgada neste sábado (10) pelo site britânico Telegraph.
Segundo a publicação, o plano em estudo prevê o envio de soldados britânicos, navios de guerra e aeronaves para proteger a ilha, que é parte do Reino da Dinamarca.
A União Europeia também estaria preparando sanções de retaliação — incluindo restrições a empresas como Meta, Google, Microsoft, X e a bancos norte-americanos — caso Trump rejeite a oferta de diálogo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Uma medida mais extrema cogitada seria a expulsão das forças militares dos EUA de bases localizadas em território europeu, conforme destacou o Telegraph.
O jornal Daily Mail também informou, citando fontes, que Trump teria ordenado a elaboração de um plano de invasão da Groenlândia por comandos de operações especiais.
"Trump ordenou aos comandantes de operações especiais que elaborassem um plano para uma invasão da Groenlândia", diz a reportagem.
De acordo com o veículo, alguns comandantes militares americanos de alto escalão se opõem à proposta, mas o principal apoiador seria o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller.
Autoridades europeias temem que Trump tente realizar a operação antes das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para novembro.
Em dezembro de 2025, Trump anunciou a nomeação do governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para a Groenlândia. O governador confirmou posteriormente a intenção dos Estados Unidos de anexar a ilha.
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, manifestou indignação diante das declarações do novo enviado especial americano e afirmou que convocaria o embaixador dos EUA em Copenhague para pedir explicações.
Em declaração conjunta, as primeiras-ministras da Dinamarca e da Groenlândia, Mette Frederiksen e Jens-Frederik Nielsen, advertiram os EUA sobre qualquer tentativa de tomar a ilha, ressaltando a expectativa de respeito à integridade territorial compartilhada.
Na última quarta-feira (6), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou que pretende se reunir com autoridades dinamarquesas na próxima semana para discutir a situação na Groenlândia. A resposta foi dada a um repórter que questionou por que a administração norte-americana não aceita a oferta de Copenhague para dialogar e se os EUA estão dispostos a descartar uma intervenção militar.
Em 4 de janeiro, Katie Miller, esposa de Stephen Miller, publicou na rede social X uma imagem da Groenlândia nas cores da bandeira americana, com a legenda "Em breve" e ao fundo uma referência à operação militar dos EUA na Venezuela.
Trump já afirmou em diversas ocasiões que a Groenlândia deveria integrar os Estados Unidos, citando a importância estratégica da ilha para a segurança nacional e para a defesa do "mundo livre".
O ex-primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, reiterou que a ilha não está à venda e nunca estará. Apesar disso, Trump se recusou a garantir que não usaria força militar para tentar estabelecer controle sobre o território.
A Groenlândia foi colônia dinamarquesa até 1953 e, apesar de permanecer parte do reino, conquistou autonomia em 2009, podendo governar a si própria e definir sua política interna.
Com informações de Sputnik Brasil